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ISSN (On-line) 2236-6814

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Relato de Caso

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Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X: relato de caso

X-linked hypophosphatemic rickets: case report

Camila Sousa Gonçalves1; Mayara Teixeira Alexandrino Sales1; Alessandra Lima Veras de Menezes Cavalcante1; Raissa Almeida Barros de Oliveira Pereira1; Milena Silva Sousa1; Luciana Felipe Ferrer Aragão1; Annelise Barreto de Carvalho1; Ana Paula Dias Rangel Montenegro1

https://doi.org/10.25060/residpediatr-2022.v12n3-336 Residência Pediátrica, 12(3), 1-4

RESUMO

INTRODUÇÃO: O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X é considerado a causa mais comum de raquitismo hereditário. É uma doença dominante ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene PHEX. Acredita-se que as alterações bioquímicas e na mineralização óssea sejam causadas pela ação aumentada de fator fosfatúrico decorrente da incapacidade do gene PHEX em inativar seu substrato.
RELATO DE CASO: Menina, 7 anos e 11 meses, acompanhada por ortopedia desde 1 ano de idade, devido a deformidade nos membros inferiores. Encaminhada à endocrinologia pediátrica para avaliação. Ao exame físico, apresentava genu varum e estatura em escore Z de estatura/idade - 4,8. Exames laboratoriais: fósforo sérico = 2,3mg/dl (4,5-6,6), cálcio iônico = 1,8mmol/l (1,17-1,32), paratormônio = 42pg/ml (12-88), fosfatase alcalina = 600U/L (<300). A paciente sempre apresentou má adesão ao tratamento. Atualmente, aos 12 anos e 2 meses, permanece com genu varum e baixa estatura, além da persistência das alterações laboratoriais. Foi realizado o sequenciamento do gene PHEX, que evidenciou mutação heterozigótica nesse gene, confirmando o diagnóstico de raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X.
COMENTÁRIOS: O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X é uma doença rara com manifestações clínicas iniciadas desde os primeiros anos de vida. O diagnóstico e a intervenção são importantes por diminuir a morbimortalidade desses pacientes. A paciente iniciou o acompanhamento em nosso serviço tardiamente, com deformidades ósseas e baixa estatura, além de má adesão ao tratamento. Por estas razões, não houve melhora clínica ou laboratorial nesse período.

Palavras-chave: Raquitismo Hipofosfatêmico, Doenças Genéticas Ligadas ao Cromossomo X, Doenças Ósseas Metabólicas.

INTRODUÇÃO

Raquitismo é caracterizado por insuficiência ou retardo da mineralização da matriz osteoide, recentemente formada durante o processo de ossificação endocondral, na placa de crescimento. As causas de raquitismo envolvem a deficiência de cálcio, vitamina D e fósforo, bem como as alterações no metabolismo ou na ação da vitamina D1,2.

Existem algumas síndromes que apresentam perda renal isolada de fosfato, resultando em hipofosfatemia, normocalcemia e raquitismo primário3,4. Este quadro clínico é causado por um aumento dos níveis de fator de crescimento fibroblástico-23 derivado do osso (FGF-23) que impede a reabsorção adequada de fosfato no túbulo renal e interfere na hidroxilação renal da vitamina D5,6.

Os genes envolvidos e o modelo de herança desta síndrome podem ser diversos, sendo o raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X considerado a causa mais comum de raquitismo hereditário, com uma prevalência variando de 1,7 por 100.00 crianças a 4,8 por 100.000 indivíduos, incluindo adultos e crianças7. Esta forma de apresentação é causada por mutações no gene PHEX, localizado em Xp22.1, que codifica a expressão e degradação do FGF-231,8.

O diagnóstico definitivo da doença é feito através da investigação molecular, porém o exame físico e a avaliação laboratorial e radiológica rotineira podem nortear a investigação diagnóstica, possibilitando o tratamento precoce da doença3.

O tratamento tem como objetivos principais a redução das deformidades esqueléticas e a melhora do ritmo de crescimento, sendo realizado com a reposição de fósforo e calcitriol. A instituição precoce do tratamento é capaz de reduzir a intensidade do retardo de crescimento e das deformidades em membros inferiores3,9.

O burosumab, também indicado nessa condição, é um anticorpo monoclonal com ação em reconhecer e ligar-se à proteína FGF23, bloqueando a sua atividade, o que permite que os rins reabsorvam o fosfato e restaurem os níveis normais de fosfato no sangue. Permite, também, a hidroxilação da vitamina D pelos rins, aumentando os níveis de calcitriol, forma ativa da vitamina D 10,11.

Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de uma paciente com raquitismo hipofostâmico ligado ao X, descrevendo as suas características clínicas e laboratoriais da doença, alertando para o diagnóstico precoce desta rara condição.


RELATO DE CASO

Menina, 7 anos e 11 meses, acompanhada pela ortopedia desde 1 ano de idade, devido à deformidade nos membros inferiores. Encaminhada à endocrinologia pediátrica para avaliação.

Na primeira consulta aos 7 anos e 11 meses, apresentava genu varum (Figura 1) e baixa estatura (SDS estatura/idade = -4,8). Exames laboratoriais: fósforo sérico = 2,3mg/dL (4,5-6,6), cálcio iônico = 1,8mmol/L (1,17-1,32), paratormônio = 42pg/mL (12-88), fosfatase alcalina = 600U/L (<300). Iniciada reposição de fósforo e calcitriol, porém sempre apresentou má adesão ao tratamento. A Tabela 1 descreve a evolução clínica e laboratorial da paciente durante o acompanhamento com a endocrinologia pediátrica.

Figura 1. Genu varum em membros inferiores.




Atualmente, aos 12 anos e 2 meses, permanece com genu varum e baixa estatura (SDS estatura/idade= - 4,48) e queixa de dores ósseas. Exames laboratorias: fosfatase alcalina = 415U/L (<300), cálcio iônico = 1,25mmol/L (1,17-1,32), fósforo sérico = 2,5mg/dL (4-7), paratormônio = 37pg/mL (12-88), vitamina D = 18,5ng/mL (20-280). Foi realizado o sequenciamento do gene PHEX, que evidenciou mutação heterozigótica nesse gene, confirmando o diagnóstico de raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X.

Comentários

Os pacientes com raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X apresentam altura normal ao nascer e redução da velocidade de crescimento durante os primeiros anos de vida. Após o início da deambulação, as manifestações clínicas típicas da doença se desenvolvem caracterizadas por baixa estatura e deformidades em membros inferiores (genu varum ou genu valgum)1.

Laboratorialmente, a doença manifesta-se por hipofosfatemia, elevação da concentração plasmática de fosfatase alcalina, níveis normais de cálcio sérico, calciúria normal ou diminuída, redução da reabsorção tubular de fósforo e concentração plasmática de paratormônio normal1,9.

As alterações radiológicas são caracterizadas pela perda de definição, alargamento e imagem em cálice observados na zona de calcificação provisória nas metáfises da tíbia, fêmur distal, rádio e ulna1.

A paciente iniciou o acompanhamento em nosso serviço tardiamente, com deformidades ósseas e baixa estatura importantes, além de má adesão ao tratamento. Por estas razões, não houve melhora clínica ou laboratorial nesse período.


REFERÊNCIAS

1. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X. Projeto Diretrizes. São Paulo: SBEM; 2004.

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Hospital Universitário Walter Cantídio, Serviço de Endocrinologia Pediátrica - Fortaleza - Ceará - Brasil

Endereço para correspondência:

Camila Sousa Gonçalves
Hospital Universitário Walter Cantídio
Rua Pastor Samuel Munguba, nº 1290, Rodolfo Teófilo
Fortaleza, CE, Brasil. CEP: 60430-372
E-mail: camilagoncalves_@hotmail.com

Data de Submissão: 16/06/2020
Data de Aprovação: 09/03/2021

Recebido em: 16/06/2020

Aceito em: 09/03/2021

Sobre os autores

1 Hospital Universitário Walter Cantídio, Serviço de Endocrinologia Pediátrica - Fortaleza - Ceará - Brasil.

Endereço para correspondência:

Camila Sousa Gonçalves

Hospital Universitário Walter Cantídio Rua Pastor Samuel Munguba, nº 1290, Rodolfo Teófilo Fortaleza, CE, Brasil. CEP: 60430-372

E-mail: camilagoncalves_@hotmail.com

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Como citar este artigo:

Gonçalves, CS, Sales, MTA, Cavalcante, ALVM, Pereira, RABO, Sousa, MS, Aragão, LFF, Carvalho, AB, Montenegro, APDR. Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X: relato de caso. Resid Pediatr. 12(3):1-4. DOI: 10.25060/residpediatr-2022.v12n3-336

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