A nota Técnica da TANU alerta os pediatras, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e as equipes da saúde da família, quanto à orientação e o seguimento destas crianças, não somente durante, mas após a pandemia. É importante salientar que a TANU já deveria ser realizada na maternidade ou no hospital, antes mesmo da alta, ou no máximo durante o primeiro mês de vida da criança. O teste recomendado é o de Emissão Otoacústica Evocada (EOA) realizado nas crianças sem os Indicadores de Risco para a Deficiência Auditiva (IRDA) de causas congênitas ou perinatais ou de causas perinatais ou tardias. O teste do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico - Automático (PEATE - A) também conhecido com BERA Automático deve ser realizado nas crianças com indicadores de risco, em especial nas que permaneceram na UTI neonatal por mais de 5 dias.
Caso houver falha da TANU ainda dentro da maternidade, é recomendado um RETESTE até 15 dias após a alta hospitalar. Se for confirmada esta falha, é necessário o diagnóstico médico e audiológico, objetivando confirmar ou não a perda auditiva. Esta confirmação deverá ser feita até o terceiro mês de vida. A intervenção clínica e terapêutica deve ser iniciada entre o terceiro mês de vida e no máximo até o sexto mês.
O objetivo da TANU é: sua realização até o primeiro mês de vida (1);- confirmação da deficiência auditiva até o terceiro mês de vida (3); intervenção clínica e terapêutica deverá se iniciar no terceiro mês de vida e ser realizada até o sexto mês (6). As intervenções recomendadas pela TANU, com 1, 3 e 6 meses irão contribuir para otimizar o tratamento indicado. Uma intervenção precoce tem como objetivo promover o adequado desenvolvimento da linguagem.
Nestes tempos da pandemia pelo SARS CoV-2 aquelas crianças que deixaram de ser diagnosticadas e tratadas devem procurar os profissionais da Saúde, assim que seja liberado o distanciamento. Caso isto não ocorra pode haver atraso na linguagem e na fala. Estas crianças podem vir a experimentar comprometimentos acadêmicos, sociais e emocionais, na ausência deste reconhecimento precoce.
Assim, a leitura a discussão desta Nota Técnica, aborda aspecto relevante para o melhor esclarecimento da necessidade do diagnóstico e intervenção precoce na perda auditiva. Desta forma, pode ser reduzido o impacto da defasagem da linguagem, somando-se a diminuição da ansiedade dos pais e cuidadores.
Nota Técnica - Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva - COMUSA
Triagem auditiva neonatal universal em tempos de pandemia https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/NOTA_COMUSA_2020.pdf
1. Faculdade de Medicina da USP, Laboratorio de Investigação Medica (LIM) 40 - Sao Paulo - SP - Brasil
2. Universidade Federal de Goias, Departamento de Cirurgia - Goiania - Goias - Brasil
3. Hospital Pequeno Principe, Otorrinolaringologia - Curitiba - Paraná - Brasil
Endereço para correspondência:
Tania Maria Sih
Faculdade de Medicina da USP. Av. Dr. Arnaldo, 455 - Cerqueira César, São Paulo - SP, CEP: 01246-903
E-mail: tsih@amcham.com.br
Data de Submissão: 22/06/2020
Data de Aprovação: 23/06/2020
Recebido em: 22/06/2020
Aceito em: 23/06/2020