Logo

ISSN (On-line) 2236-6814

Publicação Contínua | Acesso Aberto

Artigo Original

VISUALIZAÇÕES

Total: 8414

Distúrbios respiratórios em unidade de terapia intensiva neonatal de referência na Paraíba

Respiratory disorders in a Referral Neonatal Intensive Care Unit in Paraiba

Lorena Paulino Jácome Pereira1; Denise Maria Ramos de Amorim Albuquerque2; Constantino Giovanni Braga Cartaxo3

https://doi.org/10.25060/residpediatr-2020.v10n2-sgp Residência Pediátrica, 10(2), 1-2

RESUMO

OBJETIVOS: Avaliar a prevalência de prematuros que apresentaram distúrbio respiratório em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de um hospital de referência na Cidade de Campina Grande, no período de dezembro de 2015 a maio de 2016.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo descritivo, quantitativo, retrospectivo e coorte transversal de recém-nascidos que foram admitidos na UTIN de um hospital público em Campina Grande/PB, entre dezembro de 2015 e maio de 2016. Os dados foram coletados por meio de questionário, com base nos prontuários, e analisados pelo programa estatístico SPSS versão 21.0.
RESULTADOS: No período do estudo nasceram 3.752 crianças na maternidade, destes 5,7% (214) foram admitidos na UTI, e dos que necessitaram de cuidados intensivos aproximadamente 80% eram prematuros. O sexo masculino correspondeu a 55% dos RNPT; quase 90% apresentaram distúrbio respiratório sendo as patologias mais frequentes SDR 41,3%, TTRN 19,3%, apneia 19,3% e pneumonia 12,6%. Necessitaram de suporte ventilatório 89,7% e destes, 56% Hood, 58% CPAP e 51,5% foram intubados. A maioria apresentou evolução favorável, porém a taxa de mortalidade foi alta, correspondendo a 28,5%.
CONCLUSÕES: A presença de distúrbios respiratórios em prematuros é alta e embora grande parte apresente desfecho favorável encontramos uma alta taxa de mortalidade.

Palavras-chave: Doenças do Recém-Nascido, Infecções Respiratórias, Prematuro, Terapia Intensiva Neonatal, Unidades de Terapia Intensiva Neonatal

INTRODUÇÃO

Os problemas respiratórios são a causa mais comum de admissão nas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN). Muitos fatores, incluindo: prematuridade, gênero, modalidade de parto e predisposição genética, estão envolvidos na etiologia deste problema.

As causas dos distúrbios respiratório resultam da inabilidade do pulmão neonatal em se adaptar ao novo ambiente. As últimas semanas de gestação preparam o feto para a transição para a vida extrauterina. A imaturidade da estrutura pulmonar presente antes do termo pode ser associada ao atraso de absorção de fluido intrapulmonar, insuficiência de surfactante e deficiência de troca gasosa. Além disso, durante as últimas seis semanas de gestação, o feto começa a desenvolver sincronia e controle sobre a respiração, levando ao aumento de risco de apneia da prematuridade no nascimento antes dessa maturação. Tendo em vista a importância do tema, vamos analisar os principais distúrbios respiratórios encontrados na nossa UTI.


MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal retrospectivo de base institucional, com informações obtidas a partir dos prontuários de recém-nascidos internos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do Instituto de Saúde Elpidio de Almeida (ISEA), na cidade de Campina Grande/PB, no período de dezembro de 2015 a maio de 2016.

Foram selecionados os recém-nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Dentre os prematuros avaliou-se a prevalência de distúrbios respiratórios e as patologias mais frequentes.

As variáveis neonatais avaliadas foram: idade gestacional do RN, sexo, tipo de parto, Apgar no primeiro e quinto minuto de vida, atendimento em UTI, distúrbio respiratório, suporte ventilatório e óbitos.

Os dados foram digitados no programa estatístico SPSS versão 21.0.


RESULTADOS

No período do estudo nasceram 3.752 crianças na maternidade, destes 5,7% (214) foram admitidos na UTI, e dos que necessitaram de cuidados intensivos aproximadamente 80% eram prematuros. Dos recém-nascidos pré-termo, 28% eram tardios (idade gestacional entre 34 semanas e 36 semanas e 6 dias), o sexo masculino representou 55% dos pré-termo e 50,6% dos partos foram cesáreas.

O Apgar no primeiro minuto de vida foi maior ou igual a 7 em 69% desses indivíduos e no quinto minuto esse percentual subiu para 88%, aproximadamente. A maior parte desses prematuros apresentou distúrbio respiratório, correspondendo a 90% deles, sendo as patologias mais frequentes: síndrome do desconforto respiratório (SDR) 41,3%, taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) 19,3%, apneia da prematuridade 19,3% e pneumonia e outras infecções 12,6%.

Necessitaram de suporte ventilatório 89,7% e, destes, 56% Hood, 58% CPAP e 51,5% foram intubados. A maioria apresentou evolução favorável, porém a taxa de mortalidade foi alta, correspondendo a 28,5%.


DISCUSSÃO

A UTIN onde foi realizado o estudo é a principal unidade de referência na cidade e como tal concentra a maioria das emergências neonatais. Encontramos uma prevalência alta de prematuros que apresentaram distúrbios respiratórios e necessitaram de assistência ventilatória.

O bebê nascido por cesárea eletiva perde os efeitos benéficos (redução na água pulmonar, aumento dos níveis de catecolaminas, secreção de estoques de surfactantes no espaço alveolar e vasodilatação pulmonar) transmitidos pelo trabalho normal.

A associação de distúrbios respiratórios com o gênero masculino é explicada pelo antagonismo da maturação pulmonar pela maior concentração de andrógenos.

As principais etiologias dos distúrbios respiratórios foram SDR, causada pela deficiência de surfactante; TTRN, mais comum em recém-nascidos próximo ao termo; apneia da prematuridade e pneumonia. O diagnóstico precoce e tratamento da ameaça de trabalho de parto prematuro pode prevenir SDR e infecções neonatais, assim como o parto eutócico pode prevenir a TTRN.

Apesar do desfecho favorável em grande parte dos casos, encontramos elevada taxa de mortalidade, correspondendo a 28,5%, o que demostra a necessidade de maiores estudos e de melhoria nos cuidados neonatais.


REFERÊNCIAS 

1. Andersson S, Petersen JP, Henriksen TB, Ebbesen F. The Danish neonatal clinical database is valuable for epidemiologic research in respiratory disease in preterm infants. BMC Pediatrics. 2014 Fev;14(1):47.

2. Mahoney AD, Jain L. Respiratory disorders in moderately preterm, late preterm and early term infants. Clin Perinatol. 2013;40(4):665-78. DOI: https://dx.doi.org/10.1016/j.clp.2013.07.004

3. Suprenant S, Coghlan MA. Respiratory distress in the newborn: an approach for the emergency care provider. Clin Pediatr Emerg Med. 2016 Jun;17(2):113-21.

4. Roberts CT, Owen LS, Manley BJ, Donath SM, Davis PG. A multicentre, randomized controlled, non-inferiority trial, comparing high flow therapy with nasal continuous positive airway pressure as primary support for preterm infants with respiratory distress (the HIPSTER trial): study protocol. BMJ Open. 2015;5(6):e008483. DOI: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2015-008483

5. Tochie JN, Choukem SP, Langmia RN, Barla E, Koki-Ndombo P. Neonatal respiratory distress in a reference neonatal unit in Cameroon: a retrospective analysis of prevalence, predictors, etiologies and outcomes. Pan African Med J. 2016;24:152. DOI: https://doi.org/10.11604/pamj.2016.24.152.7066

6. Mehrabadi A, Lisonkova S, Joseph KS. Heterogeneity of respiratory distress syndrome: risk factors and morbidity associated with early and late gestation disease. BMC Pregnancy and Childbirth. 2016;16:281. DOI: https://doi.org/10.1186/s12884-016-1085-7










1. Residência Pediátrica - Hospital Universitário Alcides Carneiro
2. Especialização em Pediatria e Gastropediatria - Gastropediatra no Hospital Universitário Alcides Carneiro Coordenadora da Unidade Neonatal do ISEA
3.Doutorado em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco - Professor da Universidade Federal da Paraíba

Endereço para correspondência:
Lorena Paulino Jacome Pereira
Av. Aurélio Guedes Cavalcante, n. 247, apt. 203, Camboinha 2
Cabedelo/PB, Brasil. CEP: 58101285
E-mail: lorena_pjp@hotmail.com

Data de Submissão: 17/04/2020
Data de Aprovação: 08/05/2020

Recebido em: 17/04/2020

Aceito em: 08/05/2020

Sobre os autores

1 Residência Pediátrica - Hospital Universitário Alcides Carneiro.

2 Especialização em Pediatria e Gastropediatria - Gastropediatra no Hospital Universitário Alcides Carneiro Coordenadora da Unidade Neonatal do ISEA.

3 Doutorado em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco - Professor da Universidade Federal da Paraíba.

Endereço para correspondência:

Lorena Paulino Jácome Pereira

Av. Aurélio Guedes Cavalcante, n. 247, apt. 203, Camboinha 2 Cabedelo/PB, Brasil. CEP: 58101285

E-mail: lorena_pjp@hotmail.com

Métricas do Artigo

5619

Visualizações HTML

2795

Downloads PDF

Altmetric

Dimension

PlumX

Open Access

Como citar este artigo:

Pereira, LPJ, Albuquerque, DMRA, Cartaxo, CGB. Distúrbios respiratórios em unidade de terapia intensiva neonatal de referência na Paraíba. Resid Pediatr. 10(2):1-2. DOI: 10.25060/residpediatr-2020.v10n2-sgp

Logo

Todos os artigos publicados pela https://residenciapediatrica.com.br/ utilizam a Licença Creative Commons