Volume 13 - Número 2
Impacto da COVID-19 sobre a função tireoidiana de crianças e adolescentes: uma revisão integrativa
Uliana Pereira da Silva Lisboa; João Pedro Pereira Brito; Lucimar Retto da Silva de Avó; Debora Gusmão Melo; Carla Maria Ramos Germano
MÉTODOS: Realizou-se uma busca nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Scholar, entre janeiro de 2020 e julho de 2022, a partir da combinação dos descritores: COVID-19, função tireoidiana e população pediátrica, em conformidade com o MeSH e DeSC, em português, inglês e espanhol.
RESULTADOS: Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 8 dos 842 artigos encontrados foram considerados elegíveis para revisão, totalizando uma amostra de 288 pacientes, com 1 mês a 18 anos, acometidos por várias formas de alteração da função tireoidiana relacionadas à COVID-19, dentre as quais, tireoidite subaguda, elevação do TSH em pacientes com síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, síndrome do doente eutireoidiano e hiper ou hipotireoidismo autoimune, diagnosticados após COVID-19 ou exacerbados pela infecção. Os artigos sugerem que avaliações periódicas da função tireoidiana em crianças e adolescentes acometidos pela COVID-19 podem permitir rastreio de pacientes assintomáticos e elucidar precocemente quadros clínicos associados a patologias tireoidianas no período pós-infecção pelo SARS-CoV-2.
CONCLUSÕES: Os artigos analisados, apesar do pequeno número, trazem casos ilustrativos de alterações da função tireoidiana na população pediátrica relacionadas à infecção pela COVID-19. Os trabalhos apontam a necessidade de mais estudos em crianças e adolescentes para definir de forma mais precisa a evolução desses quadros tireoidianos, a melhor forma de rastreio e o seu manejo mais adequado, considerando que o funcionamento tireoidiano é essencial para um pleno desenvolvimento pediátrico. Palavras-chave: Doenças da glândula tireoide, Hormônios tireóideos, Covid-19, Criança, Adolescente.
Intervenções baseadas em mindfulness para crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
Maria Elizabeth Pereira Freire Machado; Carlos Augusto Pinheiro de Moraes
METODOLOGIA: Revisão da literatura baseada realizada entre 2000 e 2021.
RESULTADOS: A busca resultou em 351 artigos, dos quais 6 ensaios clínicos randomizados e 4 revisões sistemáticas que foram incluídas na revisão. Os achados indicaram melhora nos sintomas de TDAH das crianças em relação à impulsividade, atenção, agressividade e regulação emocional. Enquanto nos pais, foram observadas melhora no estresse parental e na parentalidade atena.
CONCLUSÃO: a revisão sugeriu benefícios da prática para crianças nos sintomas internalizantes e TDAH, além de benefícios no estresse parental, prática da parentalidade e relacionamento interfamiliar. No entanto, pesquisas longitudinais futuras devem ser realizadas para confirmar os benefícios e a sustentabilidade dos efeitos a longo prazo. Palavras-chave: Atenção plena, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, Revisão, Terapêutica.
Transtorno do espectro autista e diagnóstico diferencial do atraso de fala na infância: uma revisão da literatura
Guilherme de Araújo Baptistello; Camila Haas; Victória Baú Rabello; Bernardo Penteado Favero; Gabriele Eckerdt Lech; Carolina Carlesso Freitas; Carolina Moronte Sturmer; André Rumi Steinbruch; Luis Felipe Pilar Gomes; Gabriela Santos Rocha; Camila Santos Halal
MÉTODOS: Foi realizada revisão não sistemática da literatura, utilizando os critérios e definições diagnósticas atualizadas.
RESULTADOS: O atraso do desenvolvimento da linguagem é sintoma comum na faixa etária pediátrica, podendo ser encontrado em crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, sendo frequentemente associada ao Transtorno do Espectro Autista. No entanto, há uma gama de diagnósticos alternativos que podem cursar com atraso da fala e que devem ser considerados no diagnóstico diferencial, incluindo outros transtornos do neurodesenvolvimento, deficiência auditiva e os transtornos da linguagem.
CONCLUSÃO: O pediatra possui papel importante na avaliação da criança com atraso da fala, sua investigação e direcionamento do manejo. Para tanto, deve estar familiarizado com os marcos esperados do neurodesenvolvimento, sinais de alerta para desvios do desenvolvimento incluindo os de linguagem, e critérios diagnósticos dos transtornos mais prevalentes. Palavras-chave: Deficiências do desenvolvimento, Transtornos do desenvolvimento da linguagem, Transtorno do espectro autista.
Aleitamento materno em crianças com microcefalia por síndrome congênita do vírus Zika
Karole Brito Alves Costa; Normeide Pedreira dos Santos França
OBJETIVO: Identificar duração e caracterização do aleitamento materno em crianças com microcefalia por síndrome congênita do ZIKV (SCZV) atendidas em um serviço de referência.
METODOLOGIA: Estudo descritivo, transversal, quantitativo. A coleta de dados foi realizada em prontuários e durante entrevistas, através de questionários padronizados, durante os meses de setembro e novembro de 2019. Análise estatística descritiva foi realizada através do programa SPSS 25.0.
RESULTADOS: Catorze crianças preenchiam os critérios de inclusão e foram contempladas neste estudo. A média de idade foi de 43 meses (20-50), e a média do perímetro cefálico correspondeu a 29,85cm (25-34). A maioria das crianças (92,9%) foi amamentada. Oito crianças (57,2%) receberam aleitamento materno exclusivo e cinco (35,7%) receberam aleitamento materno predominante. Apenas 21,4% mamaram na primeira hora de vida. O tempo médio de AM foi de 14,67 meses (04-37). Doze mães já tinham realizado o desmame ao período da coleta de dados. Três (21,4%) realizaram desmame gradual e nove (64,3%) realizaram desmame abrupto. Todas as crianças fizeram uso de bicos artificiais (chupetas, n=14; mamadeiras, n=13), e em 50% dos casos esse uso ocorreu ainda na maternidade.
CONCLUSÃO: Este estudo encontrou uma prevalência de 92,9% de crianças amamentadas dentro do grupo estudado, e uma média de tempo de aleitamento inferior a 2 anos de idade. Palavras-chave: Aleitamento materno, Zika vírus, Microcefalia.
Cobertura vacinal contra o HPV de familiares adolescentes de mulheres com câncer cervical
Beatriz Moura Vieira; Jurema Telles de Oliveira Lima; Paula Marina Carneiro Santos; Vitor Hugo Alves Marinho; Carla Rameri de Azevedo; Maria Jullia Gonçalves de Mello; Candice Amorim de Araujo
MÉTODO: Estudo prospectivo, corte transversal. Realizado no setor de oncologia de um hospital terciário de referência, utilizando formulário adaptado.
RESULTADOS: Foram coletados dados epidemiológicos de 102 pacientes em tratamento oncológico e 59 familiares com idade entre 9-21 anos. O grau de parentesco entre essas jovens e as pacientes oncológicas em tratamento foi de filha (56%), irmã (3%), sobrinha (22%) e neta (19%). A maior parte dessas meninas (81%) foi instruída a realizar a prevenção contra o HPV, sendo a escola (39%) a principal responsável por fomentar a vacinação. A respeito das razões para não realização da imunização, a falta de informação sobre a vacina foi a mais citada (63%). Ao questionar aos familiares das meninas se vacinariam suas filhas, 17% afirmaram que não e nenhum desses familiares sabia a função da vacina.
CONCLUSÃO: Apesar dos avanços nos programas de vacinação contra o HPV, ainda é presente uma grande desinformação sobre a temática na população, especialmente entre os familiares do público-alvo. A escola foi apontada como protagonista no acesso à informação e pode ser utilizada como meio de acesso à vacina para as jovens e de informação para seus familiares. Palavras-chave: Neoplasias do colo do útero, Cobertura vacinal, Infecções por Papillomavirus.
Adequação do volume corrente ofertado durante ventilação mecânica invasiva em prematuros
Andrezza Tayonara Lins Melo; Lizandra Eveline da Silva Moura; Nailton Benjamin de Medeiros Junior; Joice Karen Cavalcante de Souza; Maria Julia Ribeiro de Souza Silva; Andrezza de Lemos Bezerra
MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal com amostra composta por RNPT com idade gestacional (IG) <37 semanas internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do Hospital Agamenon Magalhães (HAM). Coletaram-se seis medidas de VT durante 60 segundos e a adequação do VT encontrada foi avaliada através do cálculo do volume corrente ideal (VTi) utilizando a fórmula VTi = 4ml/kg x peso atual.
RESULTADO: A amostra composta por 16 prematuros, 68,7% apresentaram VT inadequado no momento da coleta. RNPT com IG acima de 30 semanas obtiveram um VT estatisticamente maior (VT = 12,27 ± 2,22mL). Quando corrigido para o peso, aqueles com IG <30 tiveram um VT corrigido de 9,34 ± 4,63mL/Kg, não significativo estatisticamente, porém importante do ponto de vista clínico.
CONCLUSÃO: Verificou-se que os RNPT abaixo de 30 semanas foram expostos a VT maiores que a faixa ideal para o peso. Com isso, é possível identificar a importância da monitorização contínua do VT, favorecendo uma melhor assistência ventilatória, minimizando as lesões pulmonares. Palavras-chave: Terapia intensiva neonatal, Recém-nascido prematuro, Respiração, Respiração artificial, Modalidades de fisioterapia
Aspectos clínicos e tomográficos de crianças com bronquiectasias não fibrocísticas em um serviço de pneumologia pediátrica
Danilo Santos Guerreiro; Vivianne Calheiros Chaves Gomes; Alexssandra Maia Alves; Claudia de Castro e Silva; Ana Julia Velozo Ribeiro
Impacto da pandemia de COVID-19 em crianças e adolescentes com excesso de peso: influência do confinamento e do fechamento das escolas na obesidade infantil
Maria Gabriela Brunetta Barth; Rosana Bento Radominski,; Adriane de Andre Cardoso Demartini
OBJETIVOS: Verificar o impacto do fechamento das escolas sobre o índice de massa corporal (IMC), os hábitos de vida e a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes.
MÉTODOS: Estudo observacional transversal de pacientes com sobrepeso/obesidade acompanhados em um serviço de referência em endocrinologia. Foram avaliados os dados da última consulta antes da pandemia e da primeira consulta realizada durante a pandemia e um questionário foi aplicado.
RESULTADOS: De 50 pacientes (31 meninas) com idade de 11,5±2,4 anos e intervalo entre as consultas de 379,5±79,5 dias, 29 (58%) relataram aumento no número diário de lanches, 76% maior consumo de alimentos ultraprocessados e 54% inalteração na quantidade de alimentos ingeridos. Também foi relatado maior tempo de sedentarismo. Quarenta e cinco pacientes ganharam peso e houve aumento de 19,6% em relação ao peso pré-pandemia, com ganho ponderal de 9,0 kg (-3,6 a 25,5). A mediana do IMC e as variações do escore-z entre as consultas foram de +1,9 kg/m2 (-2,9 a +7,7) e +0,11 (-0,93 a +1,47), respectivamente. A mudança no IMC ajustado para a mediana para sexo e idade foi de +1,65 kg/m2 (-3,60 a +6,90). Houve aumento de 6% na prevalência de obesidade no grupo.
CONCLUSÕES: Definir alterações longitudinais do IMC na faixa etária pediátrica é um desafio. O presente estudo identificou ganho ponderal não saudável, aumento do IMC, aumento do tempo de sedentarismo e explicitou as dificuldades enfrentadas pelas crianças durante a quarentena. Palavras-chave: Índice de massa corporal, COVID-19, SARS-CoV-2, Obesidade, Quarentena.
Correlação entre níveis séricos de vitamina D e IMC de crianças e adolescentes atendidos em um ambulatório universitário
Mariana Andrade Lopes Mendonça; Gabriela Corrêa de Souza; Julia Martins Roriz; Natalia Vieira Inácio Calapodopulos; Vírgina Resende Silva Weffort
MÉTODOS: Levantamento dos valores de IMC e níveis séricos de vitamina D de pacientes com idade entre 1 e 16 anos, no período de abril de 2017 a novembro de 2020, atendidos em um hospital universitário.
RESULTADOS: A associação estatística entre classificação de IMC e nível sérico de vitamina D pelo teste exato de Fisher foi p=0,053, valor muito próximo do limite de significância. Dessa forma, foi observada uma correlação limítrofe entre obesidade e hipovitaminose D.
CONCLUSÕES: A relação causal entre excesso de gordura e baixo nível sérico da vitamina D ainda não é bem esclarecida. Questiona-se se os níveis séricos reduzidos da vitamina D funcionam como causa ou consequência, direta ou indireta, do aumento do IMC. Considera-se relevante a triagem rotineira dos níveis dessa vitamina em pacientes com excesso de gordura corporal, devido ao seu papel multissistêmico e multifuncional, além da importante necessidade de suplementação nos pacientes com deficiência da mesma. Palavras-chave: Vitamina D, Obesidade, Índice de Massa Corporal.
Avaliação de tuberculose latente em adolescentes e adultos jovens vivendo com o vírus da imunodeficiência humana em um serviço de referência no Brasil
Fernanda Maia Brustoloni; Fabiana Bononi do Carmo; Aida de Fátima Thomé Barbosa Gouvêa; Regina Célia de Menezes Succi; Daisy Maria Machado
Cuidados de prevenção e seguimento de nascidos prematuros - Ponto de vista do nefrologista pediatra
Michelle Toscan; Samantha Gomes de Freitas Dickel; Vandréa Carla de Souza; Breno Fauth de Araújo
MÉTODOS: Revisão não sistemática da literatura utilizando bases de dados National Library of Medicine, US National Library of Medicine, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e Scientific Electronic Library Online cobrindo o período de 2010 a 2021. Selecionados artigos em língua inglesa abordando prematuridade, baixo peso de nascimento, crescimento intrauterino restrito e a associação com doença cardiovascular e renal e que propunham estratégias de seguimento. Excluíram-se editoriais, cartas ao editor e artigos não disponíveis na íntegra.
RESULTADOS: A incidência de prematuridade aumentou nas últimas décadas, variando entre 5% e 14%, com consequente elevação das doenças crônicas relacionadas a essa situação. O número incompleto e imaturo de néfrons dos prematuros é decorrente da falta de completude da nefrogênese, que ocorre em torno das 36 semanas de gestação. O déficit de néfrons suscita uma adaptação hemodinâmica para atingir as demandas de excreção urinária. Esse processo pode ser responsável por hipertensão glomerular, hipertrofia dos néfrons remanescentes e consequente injúria renal. Fatores como baixo peso ao nascer, crescimento intrauterino restrito e prematuridade contribuem para aumento global na prevalência de doença renal, hipertensão arterial sistêmica e síndrome metabólica.
CONCLUSÕES: Crianças com histórico de prematuridade, baixo peso e crescimento intrauterino restrito devem ter pressão arterial e função renal monitoradas durante o seguimento pediátrico, com encaminhamento ao nefrologista pediatra quando detectados desvios da normalidade. Palavras-chave: Recém-nascido prematuro, Recém-nascido de baixo peso, Hipertensão, Insuficiência renal crônica.
Problemática da persistência do canal arterial: um vilão ou uma alteração presente ao acaso?
Marina Mafra Carvalhais; José Mariano Sales Alves Júnior; Eduarda Viana Maia Sutana; Marila Cristina Tessari
MÉTODO: Pesquisa no banco de dados da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais de recém-nascidos da Maternidade Hilda Brandão da Santa Casa de Belo Horizonte/MG, entre 2014-2019. Compreendeu neonatos admitidos na maternidade com peso ao nascer entre 401 e 1500g ou idade gestacional de 22 semanas e 0 dias a 29 semanas e 6 dias.
RESULTADOS: Observou-se que, para todas as complicações, o número absoluto de casos foi consideravelmente maior na presença de PCA. Porém, em nossa amostra, não houve estatisticamente relação causal definida entre os eventos estu-dados (presença de canal arterial patente x complicações).
CONCLUSÃO: É indiscutível a presença de alguma associação entre a persistência do canal arterial às várias doenças e complicações inerentes à prematuridade. Porém, como já sugerido em outras séries de caso, neste presente estudo, não foi estabelecida relação causal entre PCA e as comorbidades estudadas, que podem ser todas (inclusive a patência do canal), apenas desdobramentos mais encontrados em um grupo de prematuros mais graves. A ausência de associação causal nos leva a refletir sobre a condução e abordagem do fecha-mento do canal arterial, optando por condutas menos intervencionistas e mais seletivas. Palavras-chave: Canal arterial, Displasia broncopulmonar, Recém-nascido Permeabilidade do canal arterial, Enterocolite necrosante Retinopatia da prematuridade.
Impactos da pandemia do coronavírus nos fluxos de atendimento do banco de leite humano de um hospital de Porto Alegre/RS
Patricia do Amaral Vasconcellos; Mauricio Obal Colvero; Humberto Holmer Fiori; Claudia Helena Abreu Nunes
RESULTADOS: O número de atendimento em grupo durante a pandemia apresentou uma redução significativa, com uma média de 0,2 atendimento e um desvio-padrão (DP) de ±0,9 em comparação ao período sem a pandemia, que teve uma média de 31,1 atendimentos e com desvio-padrão de (DP) de ±13,6 (p<0,001). Em relação aos volumes de leite coletados, houve uma diminuição significativa durante a pandemia com uma média de 28,9 litros retirados ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 11,9, em relação ao período sem pandemia que apresentou uma média de 59,8 litros ao mês e um desvio-padrão (DP) de ± 29,2 (p<0,001). O número de doadoras mensais diminuiu significativamente durante a pandemia, com uma mediana (P25 -P75) de 16 (10 - 110) em relação ao período sem pandemia, que foi de 158 (131 -201) (p<0,001).
CONCLUSÃO: Durante a pandemia, houve redução significativa de doadoras e consequentemente de volume de leite doado ao banco de leite. Palavras-chave: Aleitamento materno, Bancos de leite humano, COVID-19.
Dependência de jogos eletrônicos em adolescentes na unidadepediátrica de um Hospital Universitário no Distrito Federal
Isadora de Oliveira Cavalcante; Marilúcia Rocha de Almeida Picanço; Alice Gomes Duart; Bruna Dellatorre Diniz; Ian Carvalho Bezerra; Luana Fernandes de Matos; Marina de Freitas Ferreira; Eduardo Freitas da Silva
MÉTODOS: Estudo observacional transversal, conduzido com adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, usando um questionário com 10 questões de múltipla escolha, usado para avaliar a dependência em 5 dimensões, em relação à compulsão para com jogos eletrônicos. Também avaliamos: dados sociodemográficos (idade, sexo, educação e repetência escolar) e parâmetros de uso de jogos eletrônicos (frequência de jogos por semana e tempo diário gasto em jogos eletrônicos). O questionário foi aplicado durante 4 meses, e as análises estatísticas foram feitas usando o SAS 9.4. Um valor p <0.05 foi considerado significativo.
RESULTADOS: entrevistamos 114 adolescentes com idade média de 15 anos. A maioria (71%) relatou usar algum tipo de jogo eletrônico como meio de recreação, dos quais 62,1% eram meninos. A prevalência da dependência foi de 3,51% e o risco de dependência foi de 9.65%, com o item “restrição de tempo” sendo o mais frequente, com 42,9%. Somente o item escolaridade apresentou associação significativa com a ocorrência de risco de dependência (RD = 6,16, IC 95%: 1,48; 25,65; p = 0,0125).
DISCUSSÃO: Mesmo com algumas limitações, este estudo se destaca por ter sido capaz de demonstrar a prevalência de dependência de jogos eletrônicos em uma amostra semelhante àquela encontrada na literatura, assim como a elaboração de um perfil epidemiológico de fatores de risco associados à dependência dos pacientes entrevistados. Palavras-chave: Adolescente, Jogos Eletrônicos, Saúde Mental.
Sequelas do neurodesenvolvimento encontradas em crianças em tratamento para doenças hemato-oncológicas
Rafael Schlossmacher; Aline Debs Diniz; Leticia Cristina de Oliveira; Amanda Schuchovski Ribeiro; Camile Cripa Vicentini; Maria Fernanda Rosa Bertolini; Adriana Jasper,
OBJETIVO: O atual estudo tem como objetivo correlacionar os impactos gerados no neurodesenvolvimento de pacientes em tratamento neoplásico atendidos em um hospital pediátrico terciário em Curitiba/PR. Como objetivo secundário, realizar análise epidemiológica de crianças em tratamento hemato-oncológico em hospital de referência, na cidade de Curitiba.
METODOLOGIA: Foram selecionados 156 prontuários do serviço de Hemato-Oncologia nesse hospital de referência na cidade de Curitiba/PR. Posteriormente, realizou-se análise descritiva dos dados, apresentados em números absolutos e em frequência, seguida de correlações entre as sequelas do neurodesenvolvimento encontradas e as doenças oncológicas diagnosticadas, juntamente com as respectivas terapias utilizadas.
RESULTADOS: A leucemia linfoide aguda (LLA) correspondeu à neoplasia mais predominantemente encontrada, com 52,6% dos casos, seguida dos tumores do sistema nervoso central (SNC) e da leucemia mieloide aguda (LMA). Os principais efeitos colaterais encontrados foram: ansiedade, depressão, agressividade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), paralisia cerebral, déficits auditivos, visuais, motores e de linguagem.
CONCLUSÃO: apesar da importante redução da morbimortalidade, as terapias antineoplásicas utilizadas são capazes de gerar sequelas precoces e tardias nos pacientes em tratamento. Palavras-chave: Transtornos do neurodesenvolvimento, Hematologia, Oncologia, Pediatria.
Perfil epidemiológico em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal na Região da Amazônia brasileira
Cínthia Kanazawa Silveira; Letícia Maris Camargos Brasil; Jorne Vinícius Cordeiro Cerqueira; Pedro di Tárique Barreto Crispim; Aline Simone Dantas Carvalho
MÉTODOS: Foram coletados os dados de 234 neonatos admitidos na UTIN do serviço estudado no período de 15 de junho de 2019 até 15 junho de 2020.
RESULTADOS: Os dados apontaram uma prevalência do sexo masculino com peso adequado para idade gestacional, com diagnóstico na admissão principalmente de comorbidades do trato respiratório e prematuridade. Em 57,03% das hemoculturas não houve crescimento bacteriano, e quando houve crescimento, o Staphylococcus coagulase-negativa esteve presente em 20,27%. A taxa de óbito calculada no período foi de 19,74%. Quanto ao perfil materno, 52,36% realizaram seis ou mais consultas de pré-natal, 73,39% tiveram parto cesárea e 32,76% apresentaram diabetes e/ou hipertensão.
CONCLUSÃO: O perfil encontrado neste estudo corrobora a literatura, demonstrando uma alta taxa de óbito e parto cesáreo, com causas possivelmente evitáveis com uma melhor assistência materno-fetal durante o pré-natal, comoavaliado no near miss neonatal. É necessário que ocorram mais estudos em relação ao perfil epidemiológico nas Unidades de Terapia Intensiva neonatais da Região Norte, pois a escassez e a insuficiência de dados epidemiológicos nessa região dificultam o desenvolvimento de ações públicas que visam à melhoria da qualidade na assistência das Unidades de Terapia Intensiva neonatais. Palavras-chave: Recém-nascido, Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, Estudos epidemiológicos, Near miss.
Estilos de vida comportamentais e motivações para adoção do estilo vegetariano entre universitários do Estado de São Paulo, Brasil.
Sofia Maestre; Isabela Mazzeo; Ana Carolina Leme,; Mauro Fisberg,
MÉTODOS: Análise transversal com 692 estudantes de graduação entre 18 e 25 anos. Participantes reportaram as características sócio-demográficas e estilos de vida. Questionário para não-consumidores de carne foi relacionado a aspectos de adesão aos estilos vegetarianos, e classificados em dificuldades, aspectos positivos e negativos da dieta. Dados relacionados à saúde global foram questionados. Analise descritiva e regressões logísticas foram realizadas.
RESULTADOS: Maioria dos participantes era do sexo feminino (79,2%), com idade média de 21,2±0,07 anos. Cerca de 18% dos participantes não consumiam carne, sendo 78,9% desses ovo-lacto-vegetarianos. Consumidores de carne apresentaram maiores probabilidades para praticar menos atividade física (AF) (OR 1,51; 95%IC 1,01, 2,27) e ter menos baixo peso (OR 0,22; 95%IC 0,10, 0,49) ou peso normal (OR 0,48; 95%IC 0,28, 0,84) comparados a não consumidores de carne. Ovo-lacto-vegetarianos apresentavam maiores probabilidades para reduzir itens industrializados (OR 3,69; 95%IC 1,18, 11,56) e estarem menos dispostos para fazer as coisas (OR 0,10; 95%IC 0,01, 0,52) que os veganos.
CONCLUSÃO: Maioria dos participantes são consumidores de carne, e apresentam maiores probabilidades para não praticar AF e apresentarem excesso de peso. Veganos podem estar consumindo mais alimentos industrializados e mais dispostos. Estudos futuros devem ser considerados para generalização dos dados no Brasil e em outros países. Palavras-chave: Vegetarianos, Adulto Jovem, Estilo de Vida, Estudos Transversais.
Linfangiectasia pulmonar congênita unilateral: um relato de caso
Allan Zarpelon; Rodrigo Soares; Adriana Jasper,; Ana Laura Schumacher; Silmara Aparecida Possas; Luisa Oliveira
Síndrome opsoclonus-mioclonus-ataxia: relato de caso
Rosiane Souza Rosse; Maíne Vidal Macedo; Tatiana Guimarães de Noronha; Maria Dolores Salgado Quintans; Alexandre Ribeiro Fernandes
Necrose gordurosa subcutânea do recém-nascido: relato de caso e revisão de literatura
Júlia Belcavelo Contin Silva; Bruno Augusto Alvares; João César Lyra; Alice Yamashita Prearo; Maria Regina Bentlin; Silvio Alencar Marques
RESULTADOS: A necrose gordurosa do subcutâneo é uma inflamação incomum que aparece em recém-nascidos nas primeiras semanas de vida. A patogênese ainda é desconhecida, mas pode estar relacionada à hipóxia tecidual que gera inflamação e necrose do tecido adiposo. As lesões se caracterizam por áreas de edema e eritema que progridem para placas ou nódulos subcutâneos endurecidos e indolores. Os fatores de risco para essa paniculite são a hipóxia e o estresse perinatal, como o parto traumático ou prolongado e mais recentemente a hipotermia terapêutica. O diagnóstico é clínico, com confirmação histopatológica, a evolução é autolimitada e geralmente benigna e não requer tratamento específico, porém deve-se monitorizar o nível de cálcio sérico, pois pode ocorrer hipercalcemia, levando a sintomas graves. Os principais diagnósticos diferenciais são escleredema neonatal e paniculite por frio.
CONCLUSÃO: Apesar de pouco frequente, o reconhecimento precoce dessa condição especialmente em recém-nascidos com fatores de risco é importante, e pode guiar o seguimento clínico incluindo a monitorização do cálcio, controle da dor e a não utilização de antibióticos. Palavras-chave: Necrose gordurosa, Doenças do recém-nascido, Hipotermia induzida, Paniculite.
Apendicite necrosante como complicação da varicela: relato de caso e revisão da literatura
Beatriz Vieira; Hernâni Brito; Carlos Duarte; João Moreira-Pinto,,
Abscesso epidural espinhal na adolescência: relato de caso
Aléxia Alves Cabral; Cecília Pereira Silva; Amanda Freire de Almeida; Christian Candido Ferreira; Ricardo Kalil Laviola; Gabriel Kalil Laviola Oliveira e Silva
Mutação no gene scn1a e suas diferentes expressões fenotípicas - comparação de dois casos
Brenda Klemm Arci Mattos de Freitas Alves; Flávia Nardes dos Santos
OBJETIVOS: Relatar dois casos com mutação no gene SCN1A associada à síndrome de Dravet, ressaltando a importância do teste genético para o diagnóstico, prognóstico e escolha correta das medicações antiepiléticas.
RELATO DE CASO: Caso 1: paciente masculino iniciou crises convulsivas aos 4 meses após vacina. A partir desse momento, passou a apresentar crises generalizadas prolongadas e, com os anos, outras semiologias ictais. Evoluiu com déficit intelectual grave e epilepsia de difícil controle com exacerbação após infecções e uso de fármacos bloqueadores do canal de sódio. Caso 2: paciente feminina apresentou crise aos 26 dias de vida e depois aos 13 meses, quando passou a apresentar crises generalizadas muito prolongadas desencadeadas por variações pequenas de temperatura e euforia/irritabilidade. Aos 2 anos apresentou estado de mal epiléptico muito prolongado, evoluindo com encefalopatia hipóxico-isquêmica, além de epilepsia de difícil controle.
DISCUSSÃO: Os dois pacientes apresentam mutação no gene SCN1A associada à síndrome de Dravet, e as histórias clínicas revelam pontos similares e discrepantes entre si. As mais significativas contribuições do teste genético são a identificação dos fatores precipitantes, maior atenção para a possibilidade de evolução desfavorável e o direcionamento ideal para escolha dos anticonvulsivantes, evitando-se fármacos bloqueadores de canais de sódio. Palavras-chave: Mutação com Perda de Função, Epilepsia, Canal de Sódio Disparado por Voltagem NAV1.1.
Espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) em unidade de terapia intensiva neonatal: experiência de um hospital universitário brasileiro
Luciana Oliveira Martins Pereira de Almeida,; Gabriel Fernando Todeschi Variane,,; Rafaela Fabri Rodrigues Pietrobom,; Mauricio Magalhães,,; Daniela Pereira Rodrigues,; Renato Gasperini,,; Alexandre Netto,
Rastreio de heterotopia nodular periventricular com ultrassom transfontanelar em paciente assintomático com fator de risco: relato de caso
Bruno Antunes Contrucci; Gustavo Rogério Pinato; Juliana Hansen Cirilo; Maria Júlia Azarite Salomão; Nathália de Oliveira Kolln; Gustavo Botelho Sampaio; Marina Vanzela Lania Teles
Síndrome de hiperferritinemia e catarata hereditária: relato de caso
Hortência Teixeira de Morais; Yan Andrade Reis Haddah; Mariza Aparecida Mota; Adriana Aparecida Ferreira; Marta Halfeld Ferrari Alves Lacordia; Sabrine Teixeira Ferraz Grünewald
DESCRIÇÃO: No presente trabalho, é relatado um caso SHCH em um pré-escolar hígido, no qual o achado de elevação do nível sérico da ferritina foi obtido em um exame ao acaso. A criança foi submetida a uma extensa propedêutica diagnóstica, realizada para afastar outras causas.
DISCUSSÃO: A prevalência da SHCH é desconhecida no Brasil, e a sua penetrância variável pode dificultar a percepção do caráter hereditário. Assim, esse relato de caso e revisão da literatura tem a importância de alertar sobre a existência da patologia, para que pediatras e demais profissionais sejam capazes de realizar esse diagnóstico. Palavras-chave: Ferritinas Catarata, Doenças raras.
Tuberculose perinatal: um diagnóstico a ser considerado
Layla Luiza Silveira; Williane Coelho de Figueiredo Fernandes; Allyne Coelho Marques Monteiro; Livia Rocha do Valle; Amanda Rodrigues Soares; Daniela Silveira Barbosa; Deborah Marciano Rodrigues; Isabel Mendes Lima; Larisse Bragança Ribeiro Leal; Luiza Horst Neto; Pollyanna Rafaela de Sena Resende
RELATO DE CASO: Recém-nascido (RN), 34 semanas, nascido via vaginal, feminino, pré-natal sem intercorrências. Internado em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), requereu suporte ventilatório e antibioticoterapia para sepse neonatal presumida. Durante a evolução, iniciou-se terapia para suspeita de sepse fúngica, e, após 48h, RN exibiu quadro de otite média bilateral e otomastoidite. Nessa ocasião, a genitora foi internada e diagnosticada com tuberculose miliar. Destarte, RN foi submetido a tratamento para infecção latente TB com rifampicina e realizou-se exérese de linfonodos para teste rápido molecular (TRM-Ultra) e cultura. Devido ao TRM-Ultra positivo, substitui-se esquema para tratamento de TB Perinatal presumida com rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Paciente evoluiu favoravelmente e posterior resultado de cultura evidenciou Mycobacterium tuberculosis.
DISCUSSÃO: A forma congênita da TB Perinatal é transmitida intraútero, por mães com TB grave e/ou genital, enquanto a pós-natal ocorre pelo contato do RN com indivíduo bacilífero após o nascimento. O diagnóstico, assim como a diferenciação entre as duas formas, é dificultado pelas manifestações clínicas inespecíficas.
CONCLUSÃO: Este caso demonstra a importância de considerar a TB perinatal em casos de sintomatologia inespecífica não responsiva à antibioticoterapia convencional. Apesar da incerteza quanto ao momento da infecção, além de diagnóstico e tratamento tardios, a paciente obteve desfecho clínico satisfatório. Palavras-chave: Tuberculose, Transmissão perinatal, Sepse neonatal, UTI Neonatal.
Meningite secundária a seio dérmico dorsal infectado em região torácica - um relato de caso
Ana Clara Alves Gontijo,; Paula Silva; Luisa Andrade Cardini; Amanda Silva Passarella Falci; Luis Fernando Andrade de-Carvalho
Síndrome de Fanconi e hepatocarcinoma por tirosinemia tipo 1: relato de caso e revisão de literatura
Maria Eduarda Turczyn De-Lucca; Jhulia Farinha Maffini; Mariana Guerrini Grassi; Vinícius Neves Bezerra; Paulo Ramos David João; Mara Lúcia Schmitz Ferreira Santos; Sandra Lúcia Schuler
RELATO DE CASO: Pré-escolar de 4 anos e 4 meses, sexo masculino, encaminhado por suspeita de raquitismo hipofosfatêmico. Identificou-se também acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal, proteinúria e glicosúria, caracterizando Síndrome de Fanconi. Ultrassonografia abdominal indicava fígado com dimensões aumentadas e múltiplas imagens nodulares hipoecoicas. A tirosinemia foi colocada como principal hipótese diagnóstica. Mesmo sem conclusão diagnóstica, iniciou-se tratamento com nitisona e dieta com restrição dietética. Depois de pouco tempo, foi a óbito por complicações da doença.
DISCUSSÃO: É expressiva a gravidade dos quadros de tirosinemia - e em especial sua rápida evolução. Deve-se ressaltar, apesar disso, a disponibilidade de métodos diagnósticos efetivos para a doença. Além disso, existem atualmente tratamentos que permitem um desfecho mais favorável.
CONCLUSÃO: Dessa forma, fica evidente a necessidade de disseminar o conhecimento acerca desta patologia entre os profissionais, de maneira que a doença passe a ser considerada como hipótese diagnóstica precocemente. Palavras-chave: Tirosina, Síndrome de Fanconi, Carcinoma hepatocelular.
Penfigoide bolhoso no lactente e seu principal diagnóstico diferencial: dermatose bolhosa por IgA linear
Luciana Silva de Godoy; Gabriella Mendes Dias Santos; Gracyele Abadia da Cunha Braga; Heloisa Cirilo Sousa; Julieta Isabel Triana Cansino; Maria Fernanda Oliveira Santos Recife; Claudia Macedo; Fabiana Jorge Bueno Galdino Barsam; Milena de Oliveira Amui Abud; Antonio Carlos Oliveira de Meneses
Síndrome de Marfan: importância da história familiar - relato de caso
Maria de Fátima Monteiro Pereira Leite; Carolina da Penha Muniz; Carla Verona Barreto Farias; Dulce Helena Gonçalves Orofino; Daltro Castellar–Junior; Anneliese Lopes Barth
Relação do pediatra com mães empoderadas no consultório
José Martins Filho; Simone De Carvalho
Doença de Kawasaki com recorrência tardia
Camila Arfelli Cabrera; Nicolle Lavinia de Souza Pinheiro
Repercussão da perda de peso na velocidade de crescimento de crianças e adolescentes: um estudo de caso
Carolina Paniago Lopes; Mariana Porto Zambon; Maria Ângela Reis de Góes Monteiro Antonio
Encefalite por leptospirose em paciente pediátrico: relato de caso
Camila Arfelli Cabrera; Ana Paula Mitsue Sazaki; Daniel Rossi Almeida
Aumento acentuado da leucina como fator de mau prognóstico na doença da urina de xarope de bordo - relato de caso
Bruna Duque de Almeida Braga; Gessianni Claire Alves de Souza; Filipe Marinho Pinheiro da Camara; Ana Cecília Menezes de Siqueira; Lucas Victor Alves
OBJETIVOS: Relatar um caso de doença do xarope de bordo em um recém-nascido (RN) com 10 dias de vida, filhos de pais consanguíneos, diagnosticado tardiamente, com elevados níveis de leucina, apresentando prognóstico desfavorável.
COMENTÁRIOS: A DXB é uma doença rara, de origem autossômica recessiva, que ocorre devido ao acúmulo de aminoácidos essenciais de cadeia ramificada nos tecidos, sendo eles a leucina, a valina e a isoleucina. O acúmulo de aminoácidos afeta, principalmente, o SNC. Estudos demonstraram que a concentração elevada de leucina diminui a concentração sérica de sódio e aumenta a água intracelular, gerando edema cerebral. O dano neurológico irá depender do grau e do tempo de exposição dos tecidos aos metabólitos. Apesar do desfecho desfavorável do caso apresentado, o prognóstico do DXB pode ser modificado com um controle rigoroso da dieta e manejo precoce e agressivo de crise metabólica. Palavras-chave: Doença da urina de xarope de bordo, Leucina, Erros inatos do metabolismo dos aminoácidos.
Encefalomielite aguda disseminada: relato de caso
Wanessa Cardoso Praia; Quezia Denise Cortez Morais; Juliana Pastana Ramos de Freitas
Completa recuperação pós-covid-19 grave em paciente com mucopolissacaridose tipo 2
Yasmine Gorczevski Pigosso,; Giovanna Zatelli Schreiner; Isabela Sech Emery Cade; Mara Lucia Schmitz Ferreira Santos; Paulo Ramos David João,
RELATO DE CASO: Masculino, 13 anos, portador de MPS-II, é atendido em pronto-atendimento infantil por desconforto respiratório, hipersecretividade de vias aéreas e febre. Ao exame físico, apresentava insaturação em ar ambiente, roncos e estertores grossos difusos em ausculta pulmonar. Exames laboratoriais revelaram: bastonetose, vacuolização citoplasmática em neutrófilos, plaquetopenia, coagulopatia de consumo, nível tóxico de ácido valpróico, acidose respiratória e alcalose metabólica; além de positividade para Covid-19. Radiografia de tórax demonstrou infiltrado peri-hilar com consolidação retrocardíaca. Tomografia computadorizada de tórax evidenciou consolidações peri-hilares e basais bilaterais, além de disseminação endobrônquica bilateralmente. Eletrocardiograma constatou alteração na repolarização ventricular e infradesnivelamento do segmento ST. Assim, foi diagnosticada infecção por Covid-19, com pneumonia bacteriana secundária e repercussões hemodinâmicas e cardíacas, além de intoxicação concomitante por ácido valpróico. O paciente necessitou cuidados de terapia intensiva por 22 dias, suporte de ventilação mecânica por 19 dias, além do uso de drogas vasoativas. Recebeu alta hospitalar após 49 dias, com gastrostomia, traqueostomia e oxigênio domiciliar.
DISCUSSÃO: Portadores de MPS-II tendem a apresentar quadro mais severo e pior prognóstico ao serem infectados por Covid-19. Isso porque existem fatores inerentes à MPS-II que dificultam sua recuperação após infecções pulmonares, como: disfunção pulmonar prévia, macroglossia, hipertrofia das adenoides, hipersecretividade e hipotonia. Tais fatores refletem na longa permanência hospitalar do paciente relatado ao adquirir a Covid-19. Palavras-chave: Covid-19, SARS-CoV-2, Síndrome respiratória aguda grave, Cuidados críticos, Criança, Mucopolissacaridose II