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Elegibilidade para cuidados paliativos dos pacientes internados na enfermaria de pediatria de um hospital universitário
Giulia Cardoso Masotti; Antonia Teresinha Tresoldi
Resid Pediatr. 2022MÉTODOS: Estudo retrospectivo, descritivo com corte transversal da população de pacientes internados na enfermaria pediátrica do HC/UNICAMP, no período de junho a outubro de 2017. Os pacientes foram considerados elegíveis caso apresentassem como doença de base, no momento da internação, uma entre as seguintes: (I) doenças para as quais o tratamento curativo é possível, mas pode falhar; (II) doenças nas quais a morte prematura pode ser esperada, porém o tratamento integrado pode prolongar a vida com qualidade; (III) doença crônica progressiva, cujo tratamento é exclusivamente paliativo e potencialmente prolongado; (IV) deficiências neurológicas não progressivas que induzam a vulnerabilidades que possam levar à morte prematura. Os pacientes considerados elegíveis foram comparados com os não elegíveis no que diz respeito a gênero, idade, caráter de internação (urgência/eletivo) e frequência de reinternações. Níveis descritivos (p) inferiores a 0,05 foram considerados estatisticamente significantes.
RESULTADOS: 30,9% dos pacientes internados na enfermaria pediátrica do HC/UNICAMP foram considerados elegíveis para uma avaliação paliativista. Não houve diferença estatística no perfil demográfico entre os grupos. O número de reinternações e as internações em caráter de urgência dos pacientes elegíveis foram superiores às dos pacientes não elegíveis no mesmo período, com significância estatística.
CONCLUSÃO: O tema é desafiador, no entanto, a discussão se faz cada vez mais necessária para o aprimoramento da atenção ao paciente pediátrico em todas as esferas de cuidado.
Sopro cardíaco na infância: estudo descritivo de um ambulatório de hospital de referência do Sul do Brasil
Mariá Lessa Silva; Giulia Cardoso Masotti; Emanuela da Rocha Carvalho,
Resid Pediatr. 2025OBJETIVO: Descrever o perfil dos casos referenciados por sopro cardíaco ao serviço de cardiologia de um hospital pediátrico.
MÉTODOS: Estudo observacional, descritivo e retrospectivo realizado em um hospital terciário pediátrico de Florianópolis, Santa Catarina. Foram incluídos pacientes com idade entre 0 e 15 anos incompletos referenciados para avaliação de sopro cardíaco no período entre 2018 e 2022. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos da instituição.
RESULTADOS: Dos 142 incluídos, o perfil predominante foi de sexo masculino (n = 77; 54,2%) e lactentes (n = 51; 35,9%). Cerca de 44 (31,0%) casos foram inicialmente identificados na Atenção Primária à Saúde e 96 (67,6%) foram descritos em outros contextos de assistência. No geral, 94 (66,2%) registros apontam que a identificação foi realizada por pediatras. Em consulta cardiológica, sopro foi identificado em 97 (68,3%) casos, sendo descrito, principalmente, como sistólico (n = 91; 93,8%), em borda esternal esquerda (n = 78; 80,4%) e de timbre suave (n = 47; 48,4%). As principais análises diagnósticas foram sopro cardíaco inocente (n = 72; 50,7%) e sopro a esclarecer (n = 17; 11,9%), sendo que, das patologias encontradas, as mais prevalentes foram comunicação interatrial (n = 11; 7,7%) e forame oval patente (n = 11; 7,7%).
CONCLUSÕES: O perfil dos pacientes referenciados foi masculino e lactente com sopro não patológico inicialmente rastreado por pediatra.
Dupla saída de ventrículo direito com grandes vasos em transposição gerando compressão traqueal
Giulia Cardoso Masotti
Resid Pediatr. 2026Paciente do sexo masculino, natural de Florianópolis/SC, portador de dupla via de saída do ventrículo direito (DVSVD) diagnosticada em período intrauterino por ecocardiografia fetal. Ao nascimento, apresentou desconforto respiratório precoce e necessidade de intubação orotraqueal ainda em sala de parto, evoluindo com falhas sucessivas de extubação e permanência prolongada em UTI neonatal. Transferido para hospital de referência aos 40 dias de vida, ecocardiograma evidenciou dupla via de saída do ventrículo direito tipo Taussig-Bing, comunicação interventricular ampla, persistência do canal arterial e hipertrofia ventricular direita. Diante da dificuldade de desmame ventilatório, o serviço de via aérea performou uma laringoscopia, que identificou compressão extrínseca de via aérea por estrutura pulsátil. Em seguida, foi realizada angiotomografia de tórax, que demonstrou compressão extrínseca da traqueia pelo arco aórtico, associada à traqueomalácia, mantida pérvia pelo tubo orotraqueal. Tendo em vista as possíveis intervenções cirúrgicas futuras, optou-se por traqueostomia com prótese de sustentação. Após persistência de crises de cianose, nova angiotomografia revelou que a prótese utilizada era insuficiente, sendo substituída por outra de maior comprimento. Apesar da intervenção, manteve episódios de dessaturação não explicados apenas pela cardiopatia, sugerindo broncomalácia, reforçada pelas tentativas malsucedidas de retirada de pressão positiva. Após cerca de um ano de internação, recebeu alta hospitalar em regime de home care, traqueostomizado e em ventilação não invasiva (BiPAP), mantendo seguimento em centro de referência, com programação de cirurgia cardíaca futura.