Volume 12 - Número 3
Doença inventada ou induzida em uma criança pelo (a) cuidador (a): o que o médico precisa saber
Marcia Maria Costa Giacon Giusti; Carolina Machado Benites; Amanda Beatriz Andrade; Renan Gianecchini Vignardi; Anna Carolina Macieira Feitosa; Gabriel Stecca Canicoba; Carmen Silvia Molleis Galego Miziara; Ivan Dieb Miziara
Aleitamento materno exclusivo por mães vegetarianas e suas possíveis implicações para a criança
Melissa Gershon; Lucca de Faria Santos Amorim; Romero Ribeiro Duque; Alegna Cristiane Medeiros Sobrinho; Rodrigo Moreira Garcia; Luciano Rodrigues Costa
Sensibilidade ao glúten não celíaca em pacientes pediátricos: uma revisão da literatura
Vânia Gameiro de Carvalho; Nathalia Silva Queiroz
MÉTODOS: As bases de dados selecionadas foram: PubMed (National Center for Biotechnology Information), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online). Foram elegidas publicações de 2016-2021, nos idiomas inglês, português ou espanhol, que contribuíssem para a presente revisão, através dos termos criança, pediatria, sensibilidade ao glúten não celíaca e sensibilidade ao glúten.
RESULTADOS: A sensibilidade ao glúten não celíaca ocorre em pacientes em que a doença celíaca e a alergia ao trigo foram descartadas. Manifestações intestinais e extraintestinais ocorrem após a ingestão de alimentos que contém glúten e desaparecem após a retirada do mesmo da dieta. A base fisiopatogênica da sensibilidade ao glúten não celíaca está relacionada à resposta imunológica inata do organismo desencadeada por peptídeos do glúten. O teste de desafio duplo cego controlado com placebo é considerado padrão ouro para investigação diagnóstica, apesar de limitações. Novos métodos estão em testes, a fim de afirmar, corretamente, o diagnóstico de sensibilidade ao glúten não celíaca.
CONCLUSÃO: A determinação diagnóstica da sensibilidade ao glúten não celíaca é fundamental para que o paciente pediátrico não seja submetido, desnecessariamente, a dietas isentas de glúten que podem repercutir negativamente no âmbito de sua nutrição e desenvolvimento. Palavras-chave: Glútens, Intolerância Alimentar, Dieta Livre de Glúten, Pediatria, Criança.
Síndrome de Guillain-Barré na pediatria: revisão de literatura
Maria Eduarda Turczyn de Lucca; Jhulia Farinha Maffini; Mariana Guerrini Grassi; Marcelo Stadler-Junior; Vinícius Neves Bezerra; Paulo Ramos David João
MÉTODOS: Trata-se de uma revisão de literatura, desenvolvida com 15 artigos encontrados nas bases de dados MEDLINE, Cochrane e LILACS, entre 2010 e 2020. Os critérios foram idioma (inglês, português e espanhol), artigos de revisão de literatura, revisão sistemática e metanálise e idade de até 18 anos entre os estudados nos trabalhos.
RESULTADOS: A anatomia patológica varia de acordo com o subtipo clínico da síndrome, tendo variações do quadro clínico. O diagnóstico é clínico, mas pode haver necessidade de exames devido à complexidade do caso e pelos diversos diagnósticos diferenciais. O tratamento visa acelerar a recuperação, diminuir complicações e diminuir o déficit neurológico residual a longo prazo. Imunoglobulina endovenosa é considerada a modalidade de tratamento mais eficaz. A plasmaferese também é considerada mais benéfica quando iniciada precocemente e é consideravelmente mais barata. Mesmo em países desenvolvidos, 5% dos pacientes com SGB morrem de complicações médicas.
CONCLUSÃO: A SGB é atualmente a principal causa de paralisia flácida aguda e apesar de existirem opções terapêuticas eficazes, a taxa de óbito é significativa, assim como são suas sequelas decorrentes de recuperação incompleta. A pesquisa acerca desta síndrome é necessária, pois aprimorar o conhecimento e manejo acarretaria em redução da morbimortalidade. Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré, Neuropatia Autoimune Aguda, Polineurite Infecciosa Aguda.
Alergia às proteínas do leite de vaca e a atenção primária à saúde: uma revisão narrativa das diretrizes atuais
Carlos Tourinho Lapa Filho; Hannah Fernandes Lapa; Jackeline Motta Franco; Sarah Cristina Fontes Vieira; Dirceu Solé; Mário César Vieira; Ricardo Queiroz Gurgel
MÉTODOS: Foram pesquisadas publicações relevantes nas bases de dados Cochrane Library, MEDLINE, PubMed, Guidelines International Network, National Guidelines Clearinghouse and National Institute for Health e Clinical Excellence (NICE) com utilização das palavras-chaves sobre o tema e os artigos encontrados foram revisados, assim como as recomendações do guia e do consenso nacional de alergia alimentar.
CONCLUSÃO: Diagnóstico e tratamento adequados de APLV em crianças são fundamentais, considerando seu impacto nutricional, emocional e socioeconômico. As diretrizes de prática clínica disponibilizam recomendações baseadas em evidência científica melhorando a qualidade do cuidado, entretanto sua implementação prática é um desafio. Ademais, a escassez de algoritmos que favoreçam a acessibilidade à informação dos extensos conteúdos científicos disponibilizados é uma realidade que torna relevante a proposta de um manejo de APLV na atenção primária que seja mais prático, aplicável e acessível, de modo a consolidar uma prática clínica baseada em evidência científica. Palavras-chave: Alergia ao Leite, Alergia Alimentar, Diagnóstico, Atenção Primária, Manejo da Doença.
Síndrome inflamatória multissistêmica em pacientes pediátricos: uma revisão da literatura
Emily Miranda Nogueira; Caio Trevelin Sambo; Ademar Pires de Souza Filho; Ana Flávia Castro Véras; Lucina Reis Carpanez
MÉTODOS: Revisão realizada em duas etapas: uma revisão da literatura através da plataforma PubMed e uma pesquisa de documentos de órgãos oficiais. Foram selecionados 10 artigos contendo informações sobre epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico, avaliações complementares, critérios diagnósticos, manejo clínico e/ou desfecho da SIM-P. Foram excluídos artigos duplicados, com enfoque em pacientes adultos, que não incluem descrição das alterações e abordagem da SIM-P.
RESULTADOS: A média de idade variou entre 8,5 e 12 anos; sexo masculino foi o mais acometido; maioria da amostra possuía sorologia positiva para COVID-19; maioria internou em UTI; baixa mortalidade. Não há fisiopatologia bem definida até o momento. Os principais sintomas foram febre, sintomas gastrointestinais, rash cutâneo e conjuntivite. As disfunções predominantes foram choque e insuficiência respiratória. Laboratorialmente, houve aumento de marcadores inflamatórios, procalcitonina, IL-6, troponina e pró-BNP. Os tratamentos mais utilizados foram: suporte ventilatório, drogas vasoativas, imunoglobulina e corticosteroides.
CONCLUSÃO: Este estudo permitiu melhor compreensão sobre a SIM-P, apesar da falta de estudos que englobam o assunto. Foi possível a caracterização de um perfil epidemiológico, clínico, laboratorial e diagnóstico. O tratamento da doença ainda não possui protocolos definidos, porém, ele se mostrou semelhante na maioria dos estudos. Por conseguinte, é necessário o desenvolvimento de novos estudos e protocolos para melhor entendimento e abordagem da SIM-P. Palavras-chave: Síndrome de Linfonodos Mucocutâneos, Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica, Infecções por Coronavírus.
Manejo da hipertensão intracraniana no trauma cranioencefálico pediátrico
Jonhatan Diego Furquim; Ana Carolina Liermann; Ana Flavia Filipczak; Daniela Carolina Tomasini; Paulo Ramos David João; Polyana Monique Santos
MÉTODOS: Revisão bibliográfica, utilizando a base de dados PubMed. Foram analisados 47 artigos, de 17 a 25 de abril de 2021, que atendiam pelos termos “TCE pediátrico, HIC pediátrica, tratamento da HIC na pediatria”, incluídos os em português e inglês, acima do ano 1999 e excluídos os 22 que tratavam de TCE e HIC no adulto, aplicação de escalas ao TCE, tratamento de outras complicações que não a HIC e de achados genéticos relacionados aos resultados após TCE.
RESULTADOS: Com base na literatura levantada, pode-se observar que algumas medidas, para o manejo da hipertensão intracraniana, são consenso entre alguns autores, ainda que apresentem um nível de evidência baixo, por outro lado, algumas ainda geram controvérsias.
CONCLUSÃO: Embora muitas medidas ainda tenham um baixo nível de evidência, elas têm se mostrado efetivas na prevenção de um segundo insulto que possa exacerbar uma lesão secundária. No entanto, é preciso uma avaliação caso a caso para instituir o manejo mais adequado e com menor risco de complicações para o paciente. Palavras-chave: Hipertensão Intracraniana, Pediatria, Neurocirurgia, Traumatismos Craniocerebrais.
Enterocolite necrosante: uma revisão da literatura
Andréa Souza Hachem; João Cesar Lyra; Érica Cristina Scarpa; Maria Regina Bentlin
MÉTODOS: Foi realizada uma busca nas plataformas MEDLINE, PubMed, SciELO, LILACS e Cochrane, utilizando-se palavras-chave sobre o tema e, após seleção dos principais artigos, procedeu-se à análise dos mesmos.
CONCLUSÃO: A enterocolite necrosante (ECN) é uma inflamação que afeta o trato gastrointestinal (TGI) de recém-nascidos. Os critérios de Bell modificados a classifica, de acordo com achados clínicos e radiográficos, em suspeita, confirmada ou avançada. A patogênese não é completamente compreendida. Nos bebês de termo ocorre devido à má perfusão mesentérica. A forma clássica ocorre nos prematuros, com fisiopatologia multifatorial que inclui: imaturidade do TGI, predisposição genética, alterações na microbiota intestinal, bactérias patogênicas, características da nutrição enteral e lesão hipóxico-isquêmica intestinal. Todos esses fatores ativam uma cascata inflamatória intensa, que pode levar a necrose intestinal. Os fatores de risco são prematuridade, baixo peso, sepse, persistência do canal arterial, anemia e/ou transfusão, entre outros. Além dos sintomas gastrointestinais (distensão e dor abdominal, resíduo gástrico, vômitos e enterorragia), apresenta sintomas inespecíficos como instabilidade térmica, apneias, hipoglicemia ou até choque. Na radiografia encontra-se distensão de alças, espessamento de parede intestinal, pneumatose, ar no sistema porta, pneumoperitônio, líquido peritoneal ou alça fixa dilatada. A abordagem terapêutica inclui jejum, antibióticos de amplo espectro, monitoração hemodinâmica. A cirurgia é indicada quando ocorre piora clínica, perfuração ou suspeita de necrose. Entre as medidas preventivas estão: controle de infecção, aleitamento materno, protocolos para início e progressão da nutrição enteral e administração de probióticos. Palavras-chave: Enterocolite Necrosante, Fatores de Risco, Diagnóstico, Neonatologia, Fisiopatologia, Etiologia.
Os efeitos de uma intervenção, segundo o conceito de Bobath, na função motora, em crianças com paralisia cerebral
Mafalda Santos Lobato
Direito de participação da criança e do adolescente na qualidade e na segurança do seu cuidado: estratégias para sua implementação
Kalline Eler; Cristina Ortiz Sobrinho Valete; Aline Albuquerque; Tiago Chagas Dalcin; Claudia Regina Cachulo Lopes; Esther Angelica Luiz Ferreira
MÉTODOS: Pesquisa teórica, com revisão da literatura com os termos “criança” AND (“segurança” OR “qualidade”) AND “direitos do paciente”, busca secundária e análise crítica dos artigos encontrados e, também, da legislação referente ao tema, além da produção científica das autoras.
RESULTADOS: No que se refere a legislação referente ao tema, a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) é a que reconhece a criança como titular de direitos enquanto paciente. Cada criança deve ser avaliada quanto à sua possibilidade de participação no seu cuidado, mas isto nem sempre ocorre. Através de estratégias que envolvem a literacia em saúde, a comunicação efetiva, o cuidado centrado no paciente, a criança pode ser envolvida neste processo de cuidado. Destacamos as rondas centradas na família e na criança, o brinquedo terapêutico, a contação de estórias e as tecnologias interativas como ferramentas práticas para implementação desta estratégia.
CONCLUSÃO: Conclui-se que a participação da criança e adolescente na qualidade e segurança do seu cuidado é um direito constituído e há necessidade de incorporar este tema na formação dos profissionais de saúde. Há estratégias que podem ser implementadas na prática diária com auxílio dos profissionais e com reflexos positivos na qualidade e segurança do cuidado em pediatria. Palavras-chave: Criança, Direitos do Paciente, Qualidade da Assistência à Saúde, Segurança do Paciente, Autonomia Pessoal.
Icterícia neonatal: fatores associados à necessidade de fototerapia em alojamento conjunto
Vitória Silva Souza Dias; Simone Manso de Carvalho Pelicia; José Eduardo Corrente; Ligia Maria Suppo de Souza Rugolo
MÉTODOS: Estudo retrospectivo com RN de 35 semanas ou mais de idade gestacional (IG) internados em AC de hospital terciário no período de outubro a dezembro de 2017, divididos em dois grupos: tratados e não tratados com fototerapia. Incluídos todos os nascidos no serviço com IG maior ou igual a 35 semanas, sem anomalias congênitas, e admitidos no AC. Excluídos os que necessitaram de internação em enfermaria neonatal. Avaliados dados clínicos maternos, gestacionais, neonatais e práticas assistenciais. Desfecho: uso de fototerapia. Associações entre grupos foram avaliadas pelo teste t-Student e pelo qui-quadrado. Regressão logística múltipla foi empregada para identificar fatores independentes associados ao uso de fototerapia.
RESULTADOS: 376 RN estudados. Do total, 176 (47%) tiveram icterícia e destes 66 (18%) foram tratados com fototerapia. O grupo tratado teve menor IG (38 x 39 semanas), maior bilirrubina em sangue de cordão (2 x 1,5mg/dL), maior perda de peso (7 x 6%), incompatibilidade ABO mais frequente (35 x 10%) e internação mais prolongada (79 x 50 horas). Regressão logística identificou como fatores independentes de risco para fototerapia: IG (OR=6), bilirrubina de cordão (OR=16), incompatibilidade ABO (OR=12) e perda de peso (OR=1,24).
CONCLUSÃO: Icterícia foi frequente nos RN em AC e quase 20% deles realizaram fototerapia. Perda de peso foi o único fator evitável de risco para fototerapia e nenhum fator de proteção foi evidenciado. Palavras-chave: Fototerapia, Recém-Nascido, Icterícia Neonatal, Alojamento Conjunto.
Artrogripose renal colestática diagnosticada a partir de colestase neonatal: relato de caso
Bruna Caseri Marino; Natascha Silva Sandy,; Gabriel Hessel; Maria Angela Bellomo Brandão
Prevalência de aleitamento materno exclusivo após internação em unidade de cuidados neonatais
Patricia Carrenho Ruiz; Nathália Zocchi Santiago; Mariana Fonseca Sousa Aquino; Sandra Regina Batista
MÉTODOS: Estudo observacional, descritivo, prospectivo, em que foram incluídos recém-nascidos internados na unidade neonatal que receberam alta hospitalar em aleitamento materno exclusivo ou misto no período de maio a julho de 2019. Quinze dias após a alta hospitalar, foi realizado contato telefônico com a genitora a respeito da forma de alimentação do bebê neste momento.
RESULTADOS: A prevalência de aleitamento materno exclusivo (AME) 15 dias após a alta hospitalar foi de 62,3%. O peso ao nascer e a idade gestacional foram significativamente maiores e o tempo de internação foi menor no grupo em AME 15 dias após a alta (p<0,05). Houve correlação positiva entre AME na alta e AME 15 dias após a alta (p<0,05).
CONCLUSÃO: O estabelecimento e a manutenção do aleitamento materno em recém-nascidos que necessitam de internação para cuidados de saúde é um desafio, que necessita de todo o empenho em termos de estrutura e processos. Fatores como o peso de nascimento, a idade gestacional e o tempo de hospitalização têm relação com a prevalência de amamentação após a alta. O aleitamento materno exclusivo por ocasião da alta favoreceu o aleitamento materno 15 dias após a alta. Palavras-chave: Aleitamento Materno, Recém-Nascido, Desmame.
Hipóxia intrauterina e asfixia ao nascer em uma cidade do sul do Brasil
Marina Martins Borges; Lívia Maria Bereta dos Reis; Larissa Hallal Ribas
OBJETIVOS: O estudo tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico da ocorrência de hipóxia intraútero e asfixia neonatal considerando fatores maternos e fetais no munícipio de Pelotas/RS, entre os anos de 2008 a 2018. Métodos: Estudo transversal onde foi analisado dados secundários obtidos na plataforma DATASUS de prevalência de hipóxia intraútero e asfixia ao nascer em Pelotas/RS.
RESULTADOS: Foi possível observar que a prevalência foi maior em recém-nascidos do sexo masculino, em partos cesáreos, ocorridos pelo sistema privado. Além disso, a mortalidade foi de 15,75%, maior na faixa etária materna entre 25 a 29 anos, em gestações únicas com duração de 37 a 41 semanas e peso ao nascer entre 1.500 e 2.499 gramas. Os óbitos ocorreram em sua grande maioria antes de ocorrer o parto.
CONCLUSÃO: A hipóxia intraútero e asfixia ao nascer é importante causa de morbimortalidade perinatal evitável com prevalência em recém-nascidos pré-termo com peso inferior à 2.500 gramas. Permite avaliar a qualidade de assistência à gestante e ao recém-nascido no pré-natal e durante o parto. Palavras-chave: Hipóxia, Asfixia Neonatal, Assistência Perinatal, Recém-Nascido.
Interconsultas em reumatologia pediátrica: casuística de hospital terciário no Sul do Brasil
Ricardo Gullit Ribeiro; Márcia Bandeira
MÉTODOS: Estudo transversal e observacional que analisou os prontuários dos pacientes atendidos na forma de interconsultas em um ambulatório de RP de um hospital terciário durante 14 meses. Dados epidemiológicos, de história clínica e exames laboratoriais foram coletados e estatísticas descritivas foram realizadas.
RESULTADOS: Foram incluídos 37 pacientes, 27 (73%) do sexo feminino e 10 (27%) do sexo masculino, com idade mediana de 12,4 anos (mín.: 1,3/máx.: 15,9). Já tendo realizado diversos exames complementares, os pacientes foram encaminhados por 13 especialidades diferentes, tendo predomínio da dermatologia pediátrica. Na primeira consulta com reumatologista pediátrico, as principais queixas foram: artralgia (51,3%), manchas cutâneas (32,4%) e rash cutâneo (29,7%). O período compreendido entre o início dos sintomas e a consulta variou entre 16 e 4.554 dias, com mediana de 730 dias. 20 (54,1%) pacientes tiveram como desfecho a exclusão de uma doença reumatológica, três (8,1%) perderam seguimento e 14 (37,8%) foram diagnosticados com doenças reumatológicas, sendo as mais comuns: esclerodermia linear (28,6%), lúpus eritematoso sistêmica juvenil (28,6%), artrite idiopática juvenil (14,3%) e dermatomiosite juvenil (14,3%).
CONCLUSÃO: As principais queixas dos pacientes referenciados à RP foram artralgia e lesões cutâneas, com um longo período de evolução dos sintomas, além de ampla faixa etária e papel preponderante das pacientes do sexo feminino. Além disso, nota-se que previamente à avaliação do reumatologista pediátrico, os pacientes consultaram várias especialidades e foram expostos a diversos exames complementares. Palavras-chave: Reumatologia, Pediatria, Encaminhamento e Consulta, Reumatologia.
O conhecimento de escolares do ensino fundamental sobre as modalidades do atletismo
Diogo Dias de Souza
Perfil clínico-epidemiológico dos pacientes pediátricos assistidos pelo programa de assistência domiciliar interdisciplinar de um hospital de referência no Rio de Janeiro
Raquel Gomes Lot; Almiro Domiciano da Cruz Filho
Cânula nasal de alto fluxo em pediatria: quando, como e por quê?
Samara Damin; Camila de Souza Espindola; Adriana Koliski; Marcelo Rodrigues; Valéria Cabral Neves; Debora Carla Chong Silva; José Eduardo Carreiro
MÉTODOS: Trata-se de uma revisão não sistemática, onde foram selecionados estudos publicados nos últimos cinco anos com o objetivo de propor um fluxograma para orientação do uso da CNAF em pediatria.
RESULTADOS: Obtiveram-se 34 artigos, quinze foram excluídos por abordarem apenas a população neonatal, cinco por não tratarem do tema, um por não trazer o texto completo e um por ser protocolo de estudo. Além dos doze artigos da busca inicial, foram incluídos mais onze artigos considerados relevantes ao objetivo da revisão, selecionados a partir das listas de referências. A partir dos dados obtidos dos artigos selecionados, foi relatado sobre a definição da terapia, componentes do aparelho, parâmetros a serem ajustados, os mecanismos de ação, as indicações e contraindicações, benefícios e possíveis complicações de seu uso resultando em um fluxograma de uso da terapia.
CONCLUSÃO: Estudos sugerem que o alto fluxo é um método seguro, bem tolerado e de fácil aplicação. Além disso, pode evitar a necessidade de ventilação mecânica não invasiva e invasiva. Um fluxograma para otimização do seu uso em pediatria, pode ser vantajoso para o sucesso da terapia. Palavras-chave: Pediatria, Oxigenoterapia, Insuficiência Respiratória Aguda, Cânula.
Incidência de restrição de crescimento extrauterino e fatores de risco e proteção associados em recém-nascidos de muito baixo peso
Kerolaynne Fonseca de Lima; Suianny Karla de Oliveira Macedo; Arthur Pedro Marinho; Camila Dayze Pereira Santos; Lorena de Carvalho Monte de Prada; Ana Cláudia Moraes Medeiros de Lima; Ana Verônica Dantas de Carvalho; Anna Christina do Nascimento Granjeiro Barreto
MÉTODOS: Estudo longitudinal, prospectivo com recém-nascidos prematuros de muito baixo peso em maternidade escola, realizado no período entre outubro/2017 a setembro/2018. Foram avaliadas variáveis demográficas, clínicas e nutricionais. As curvas utilizadas ao nascimento e para monitorar o crescimento foram as do Projeto INTERGROWTH. RCEU foi definida como escore Z do peso de nascimento < -2. Na análise estatística inferencial foram utilizados os testes qui-quadrado, t de Student, Mann-Whitney e regressão logística.
RESULTADOS: Foram analisadas 97 crianças, destas 41,2% desenvolveram RCEU. O peso, escore Z de nascimento e o aporte calórico na primeira semana de vida foram maiores nas crianças sem restrição de crescimento. O uso de ventilação mecânica, tempo de internação na unidade de terapia intensiva, displasia broncopulmonar e sepse tardia apresentaram associação com a RCEU na análise bivariada. Na regressão logística multivariada apenas o escore Z do peso de nascimento (p<0,001) e o uso de ventilação mecânica (p=0,008) permaneceram associados ao desfecho. Com relação ao estado nutricional ao nascer, quanto maior o escore Z do peso, menor a incidência de RCEU.
CONCLUSÃO: A incidência de RCEU encontrada foi elevada, tendo o estado nutricional ao nascimento e uso de ventilação mecânica como principais fatores associados. Palavras-chave: Crescimento, Recém-Nascido Prematuro, Recém-Nascido de Muito Baixo Peso.
Fatores de risco e morbimortalidade associada à hipotermia à admissão na unidade de terapia intensiva neonatal
Ana Cláudia Moraes Medeiros de Lima; Lorena de Carvalho Monte de Prada; Arthur Pedro Marinho; Kerolaynne Fonseca de Lima; Suianny Karla de Oliveira Macedo; Cintia Suemy Uehara; Ana Verônica Dantas de Carvalho; Anna Christina do Nascimento Granjeiro Barreto
MÉTODOS: Estudo longitudinal, observacional, prospectivo. Foram incluídos recém-nascidos de muito baixo peso, admitidos em unidade de terapia intensiva neonatal, entre outubro/2017 a setembro/2018. A variável dependente foi temperatura axilar na admissão. Foi realizado o cálculo da incidência de hipotermia e comparação das médias de temperatura nos fatores de risco e desfechos avaliados. Testes estatísticos: medidas de tendência central, frequências relativas/absolutas, Teste Kolmogorov-Smirnov, Levene e teste t de Student, considerando significativo p<0,05.
RESULTADOS: Foram incluídos 128 recém-nascidos de muito baixo peso, com média de peso e idade gestacional, respectivamente, 1.079,2g e 29 semanas. Destes, 110 (85,9%) apresentaram hipotermia moderada, 13 (10,2%) hipotermia leve e apenas 5 (3,9%) encontravam-se normotérmicos à admissão. A temperatura média encontrada foi 34,7°C. Os seguintes fatores de risco mantiveram associação com menor temperatura à admissão: peso e idade gestacional, índice Apgar e reanimação neonatal. Os desfechos associados foram: síndrome do desconforto respiratório, uso de ventilação mecânica e drogas vasoativas, hemorragia pulmonar, uso de oxigênio com 28 dias de vida, sepse tardia e óbito.
CONCLUSÃO: A incidência de hipotermia encontrada foi alta e a menor temperatura à admissão esteve associada a maior morbimortalidade. É necessário atenção nas práticas assistenciais para manutenção da temperatura do recém-nascido de muito baixo peso, principalmente naqueles de menores pesos e idades gestacionais e que necessitem de reanimação neonatal. Palavras-chave: Hipotermia, Indicadores de Morbimortalidade, Fatores de Risco, Recém-Nascido de Muito Baixo Peso.
Diagnósticos dermatológicos em recém-nascidos pré-termo: estudo transversal
Danielle Arake Zanatta; Carine Andrade Celeira Lima; Jessica Castro da Silva; Vânia Oliveira de Carvalho
MÉTODOS: Trata-se de estudo transversal analítico com amostra de conveniência e coleta prospectiva de dados, realizada entre novembro de 2017 e maio de 2018. Foram examinados 151 neonatos prematuros internados na unidade de terapia intensiva neonatal e prematuros tardios internados no alojamento conjunto de um hospital de nível de atendimento terciário. A população estudada foi avaliada para evidenciar, descrever e fotografar os diagnósticos dermatológicos presentes até 28 dias de vida.
RESULTADOS: A frequência de diagnósticos dermatológicos foi de 99,3%, sendo os mais observados: lanugo em 128 recém-nascidos (84,7%), mancha salmão em 115 (76,1%), hiperplasia sebácea em 89 (58,9%), descamação fisiológica em 74 (49%), mancha mongólica em 54 (35,7%), pérola de Epstein em 43 (28,4%), lesões cutâneas traumáticas em 42 (27,8%), cisto de mília em 40 (26,4%), icterícia em 36 (23,8%) e eritema tóxico em 20 (13,2%). Os participantes com maior idade gestacional tiveram maior frequência de mancha salmão, eritema tóxico, mancha mongólica, hiperplasia sebácea, cisto de mília e pérola de Epstein.
CONCLUSÃO: Diagnósticos dermatológicos foram frequentes e aqueles com maior idade gestacional apresentaram maior frequência de alterações fisiológicas e marcas de nascimento. Lesões cutâneas traumáticas figuraram entre as 10 mais observadas, reforçando a necessidade de implantação de protocolos de cuidados com a pele neonatal, com ênfase nos prematuros. Palavras-chave: Manifestações Cutâneas, Recém-Nascido Prematuro, Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.
As crianças apresentam sinais e sintomas que compõem um quadro pós-COVID-19?
Giovanna Guilherme Barcelos; Renata Machado Pinto; Paula de Oliveira Caetano Queiroz; Adriel Felipe de Rezende; Jordanna Ferreira Lousek; Mariana Braga Teixeira
MÉTODOS: Partiu-se do questionamento: “Quais as manifestações clínicas em crianças com síndrome da COVID longa?”. Incluiu-se artigos acerca do quadro clínico da COVID longa na população pediátrica, sendo estudos de coorte, caso-controle, estudos transversais e relatos de caso publicados em 2020 e 2021 nas bases de dados SCOPUS, Embase, NCBI e MedRxiv. A seleção e análise dos artigos foi realizada por quatro pesquisadores de forma independente, seguindo as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviewers and Meta-analysis.
RESULTADOS: Dos 6.279 artigos encontrados nas bases de dados, 8 foram incluídos nesta pesquisa. A amostragem nas publicações selecionadas variou de 1 a 2.500 participantes, e incluiu uma população cuja faixa etária variou de 3 meses a 18 anos. Os sintomas mais relatados na COVID longa foram: fadiga, sintomas do trato respiratório alto e baixo, distúrbios do sono e sintomas neurológicos. O maior tempo de duração dos sintomas observados foi de oito meses, com mínima de quatro semanas. Ainda, alguns artigos relataram a síndrome multissistêmica inflamatória pediátrica (SIM-P) na COVID longa.
CONCLUSÃO: A COVID longa atinge em média 15,5% das crianças após a infecção, com duração de 4 a 32 semanas. Os principais sintomas foram fadiga e dispneia, seguidos por sintomas osteomusculares, respiratórios, neurológicos e distúrbios do sono. Ademais, não foi possível o esclarecimento de fatores de risco e desfecho desses casos nesse estudo. Palavras-chave: COVID-19, Criança, Fadiga, Inflamação.
Sinus de úraco em lactente: relato de caso
Júlia Souza Vescovi; Clara Ribeiro Doria; Hamilton Filipe Correia de Malfussi
Ependimoma supratentorial esquerdo em paciente pediátrico: um relato de caso
Bianca Brinques da Silva; Fernando dos Anjos Schmitz; Rafaela Fernandes Pulice; André Bedin
Insulinoma como causa rara de hipoglicemia na infância: relato de caso
Raissa Almeida Barros de Oliveira Pereira; Alessandra Lima Veras de Menezes Cavalcante; Nancy Pereira Dantas Linhares; Milena Silva Sousa; Luciana Felipe Ferrer Aragão; Annelise Barreto de Carvalho; Ana Paula Dias Rangel Montenegro
RELATO DE CASO: Menina, 10 anos, internada para investigação de epilepsia matutina refratária, com início seis meses antes da admissão. Foi solicitado parecer da endocrinologia pediátrica, pois se evidenciou hipoglicemia na vigência da convulsão, a qual melhorou após infusão de glicose intravenosa. Durante os exames de amostra crítica, foi evidenciado hiperinsulinismo associado à hipoglicemia, sendo cogitado o diagnóstico de insulinoma, o que foi confirmado através da visualização de lesão intrapancreática nos exames de imagem. A paciente foi, então, encaminhada para excisão cirúrgica, com boa evolução após enucleação do tumor.
COMENTÁRIOS: O insulinoma é um tumor neuroendócrino raro na faixa etária pediátrica. Pode apresentar-se, inicialmente, como quadros convulsivos de difícil controle, alterações de comportamento e atraso do desenvolvimento, conduzindo, muitas vezes, a um diagnóstico errôneo. O diagnóstico e a intervenção precoce são importantes na medida em que diminuem a morbimortalidade dos indivíduos acometidos. A paciente não apresentou sequelas neurológicas e teve evolução pós-cirúrgica favorável, sem recorrência dos sintomas nem episódios de hiperglicemia. Palavras-chave: Insulinoma, Hipoglicemia, Pediatria.
Osteomielite vertebral por Salmonella: relato de caso
Tiago Kruszynski de Assis; Bárbara Hessel Rodrigues; Pedro Paulo Macarini Gonçalves Vieira; Ricardo Alexandre Sato Watanabe
Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X: relato de caso
Camila Sousa Gonçalves; Mayara Teixeira Alexandrino Sales; Alessandra Lima Veras de Menezes Cavalcante; Raissa Almeida Barros de Oliveira Pereira; Milena Silva Sousa; Luciana Felipe Ferrer Aragão; Annelise Barreto de Carvalho; Ana Paula Dias Rangel Montenegro
RELATO DE CASO: Menina, 7 anos e 11 meses, acompanhada por ortopedia desde 1 ano de idade, devido a deformidade nos membros inferiores. Encaminhada à endocrinologia pediátrica para avaliação. Ao exame físico, apresentava genu varum e estatura em escore Z de estatura/idade - 4,8. Exames laboratoriais: fósforo sérico = 2,3mg/dl (4,5-6,6), cálcio iônico = 1,8mmol/l (1,17-1,32), paratormônio = 42pg/ml (12-88), fosfatase alcalina = 600U/L (<300). A paciente sempre apresentou má adesão ao tratamento. Atualmente, aos 12 anos e 2 meses, permanece com genu varum e baixa estatura, além da persistência das alterações laboratoriais. Foi realizado o sequenciamento do gene PHEX, que evidenciou mutação heterozigótica nesse gene, confirmando o diagnóstico de raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X.
COMENTÁRIOS: O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X é uma doença rara com manifestações clínicas iniciadas desde os primeiros anos de vida. O diagnóstico e a intervenção são importantes por diminuir a morbimortalidade desses pacientes. A paciente iniciou o acompanhamento em nosso serviço tardiamente, com deformidades ósseas e baixa estatura, além de má adesão ao tratamento. Por estas razões, não houve melhora clínica ou laboratorial nesse período. Palavras-chave: Raquitismo Hipofosfatêmico, Doenças Genéticas Ligadas ao Cromossomo X, Doenças Ósseas Metabólicas.
Encefalite por enterovírus com sequelas neurológicas tratada com sucesso com corticosteroides
Laura Catalina Chavarro-Borrero; Denise Swei Lo; Alfredo Gilio
Úlcera genital aguda em adolescente: caso clínico
Francielle Silva Santana; Taiza de Castro Costa Diamantino; Patrícia Mameluque e Silva; Luisa Toledo Silva Rodrigues; Tatiana Costa Diamantino
Perfil clínico e radiológico de crianças internadas com pneumonias complicadas
Laís de Paiva Gabriel; Rafaela Baroni Aurilio; Clemax Couto Sant’Anna
Efeitos colaterais da isoniazida: relato de caso
Paula Silva Almada; Rafaela Baroni Aurilio; Maria de Fatima Pombo Sant’Anna