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Um estudo transversal sobre perfil do tempo de tela na primeira infância
Aline Iorio Martins; Ana Carolina Stanzani; Beatriz Delvelan Ramos; Inês Maria Crespo Gutierres Pardo Alexandre
Resid Pediatr. 2026INTRODUÇÃO: Novos dispositivos estão cada vez mais presentes no cotidiano infantil. A exposição excessiva e precoce pode causar prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor, tornando essencial compreender os padrões de uso para orientar intervenções preventivas.
MÉTODOS: Estudo transversal, amostra selecionada por conveniência, avalia o perfil de uso de dispositivos multimídia mediante entrevistas com 200 responsáveis por crianças de 0 a 6 anos, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Avaliação foi realizada com aplicação de um questionário previamente testado. Para análise estatística, utilizou-se programa SPSS, teste qui-quadrado para variáveis qualitativas e teste de Mann-Whitney para variáveis quantitativas, com significância definida em p<0,05.
RESULTADOS: A média de idade das crianças foi de 32,09 ± 22,32 meses. Todas as crianças utilizam dispositivos multimídia e a média de uso foi de 128 minutos por dia, incompatível com o recomendado por referências pediátricas. Quanto aos pais, 59% negaram ter conhecimento sobre o tema e apenas 18,5% afirmaram que os riscos da exposição às telas foram abordados pelo seu pediatra. Houve associação significativa entre idade e uso de telas, de modo que idade menor significa menos uso de telas (p<0,01). Não há correlação significativa entre classe socioeconômica e orientação pediátrica.
CONCLUSÕES: Há um padrão de uso excessivo de telas na primeira infância. O estudo demonstra falha na orientação pediátrica sobre o assunto, reforçando atuação do pediatra na orientação das famílias, promovendo uso consciente da tecnologia e prevenindo prejuízos ao bem-estar físico, emocional e cognitivo da criança.
Distribuição temporal e impacto das infecções por vírus sincicial respiratório em crianças gravemente doentes (2021–2024)
Aline Iorio Martins; Ana Carolina Stanzani; Beatriz Delvelan Ramos; Inês Maria Crespo Gutierres Pardo Alexandre
Resid Pediatr. 2026 e1526OBJETIVO: Caracterizar o padrão temporal e a carga de casos positivos para VSR admitidos nas unidades de tratamento intensivo pediátrico (UTIP) de dois hospitais pediátricos do Rio de Janeiro e comparar estes achados com os dados obtidos a partir do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe).
MÉTODOS: Avaliamos retrospectivamente 5.207 testes de VSR em crianças de março de 2021 a dezembro de 2024. Analisamos a distribuição dos casos ao longo das semanas epidemiológicas (SE) e, para verificar e comparar os dados de ambas as fontes quanto à tendência temporal da carga de VSR, utilizamos modelos de regressão de contagem para a análise estatística.
RESULTADOS: Observamos uma alteração do padrão sazonal habitual do VSR em 2021, com um aumento da atividade na primavera e no início do verão. Houve tendência de regresso à sazonalidade típica em 2022–23 e uma circulação mais típica em 2024. Nas UTIPs, a percentagem total de casos positivos para VSR, entre a SE 10 e 36, foi de 52,9%, 69,7%, 90,5% e 93,6% em 2021, 2022, 2023 e 2024, respectivamente. Verificamos uma taxa de positividade para o VSR mais elevada em 2023–24 em comparação com 2021–22 (IRR = 1,73; IC 95%: 1,42-2,10; p<0,001).
CONCLUSÕES: De acordo com a análise temporal, a interrupção da sazonalidade habitual verificada em 2021 não se manteve nos anos seguintes. Ao contrário dos relatos de outros países, a carga de doenças graves não aumentou nos anos de relaxamento das medidas de mitigação da COVID-19 (2021–22).