Volume 10 - Número 1
Complicações respiratórias na criança com mucopolissacaridose
Larissa Camargo Boaron; Debora Carla Chong-Silva; Rafael Luiz Pinto; Vitória Luiza Locatelli Winkeler; Monik Bordin; Rafaella do Rosário Tacla; João Gabriel Peixoto Lopes; Bruna Rodrigues Cremonese
MÉTODOS: Foram revisados artigos originais e artigos de revisões sobre o tema mucopolissacaridose e sobre as complicações respiratórias comuns nesta doença, especialmente na população pediátrica. Foi realizada busca nas bases de dados Medline e PubMed, utilizando os descritores: criança, doenças respiratórias e mucopolissacaridose. Os artigos selecionados datam desde 1988 até 2017.
RESULTADOS: A mucopolissacaridose (MPS) consiste em um erro inato do metabolismo, gerando depósitos lisossomais por falha na degradação de glicosaminoglicanos (GAGs) e, consequentemente, disfunção celular. A incidência da mucopolissacaridose (MPS) estimada é de 1:29.000 nascidos vivos, sendo os subtipos I e III os mais frequentes e o VII, o mais raro. No Brasil, a MPS responde a 32% dos erros inatos do metabolismo e a 54% das doenças lisossomais de depósito. Em nosso país há um predomínio dos subtipos I, II e VI. O sistema musculoesquelético é o mais afetado pela doença e o acometimento do trato respiratório, abordado nessa revisão, é uma importante causa de morbimortalidade e inclui obstrução de vias aéreas, infeções de repetição e doença pulmonar restritiva. O manejo depende da causa do acometimento respiratório, podendo incluir tratamento e prevenção de infecções, remoção cirúrgica das tonsilas, uso de CPAP ou BiPAP, suplementação de oxigênio e até traqueostomia.
CONCLUSÕES: Estima-se que 64 crianças nasçam com a doença no Brasil a cada ano (Datasus). Destaca-se, assim, a importância do conhecimento das particularidades do trato respiratório dessas crianças pelo médico generalista. Palavras-chave: Mucopolissacaridoses, Erros Inatos do Metabolismo, Obstrução das Vias Respiratórias, Criança.
Dra. Ludma e seu pioneirismo: in memoriam
Clemax Couto Sant’Anna
Ensaios clínicos randômicos e controlados
Nelson Augusto Rosario-Filho
Cor triatriatum: um caso raro e assintomático
Maina Tavares Zanoni; Valeria Cardoso Alves Cunali; Valquiria Cardoso Alves Chagas; Kellen Cristina Kamimura Barbosa Silva; Fabiane Mendes de Souza; Cynthia Lorena de Moura Araújo
Sífilis congênita diagnosticada através do teste do reflexo vermelho
Rafaela Silva Acácio; Arikleber Freire Silva; Francis Sharaym Melo Carvalho; Mariele Aparecida Santana; Rachael Choucair Ferreira; Teresa Zavaris Nobre; Typhanie Soares Santos; Izailza Matos Dantas Lopes
MÉTODOS: Relato de caso de uma criança com diagnóstico tardio de SC precoce, realizado através da detecção de alterações oculares na criança encontradas no Teste do Reflexo Vermelho (TRV).
DISCUSSÃO: Com a negativação do VDRL materno no terceiro trimestre e intraparto, pelo atual protocolo do Ministério da Saúde, esse RN não entra nos critérios de triagem no momento do parto e posterior seguimento. Além disso, o diagnóstico é dificultado devido a 70% das crianças infectadas serem assintomáticas. O aprimoramento do serviço de pré-natal, com diagnóstico e tratamento precoce das gestantes e seus parceiros pode ser uma estratégia para melhorar os índices de sífilis congênita no Brasil.
CONCLUSÕES: O caso descrito mostra a fragilidade desse protocolo e sugere a necessidade do desenvolvimento de estudos epidemiológicos que reflitam a realidade brasileira e garantam um protocolo mais sensível à detecção de crianças com risco de infecção neonatal. Caso essa criança não tivesse alterações oftalmológicas dificilmente seria tratada para SC com risco de morrer ou desenvolver complicações graves da doença. Palavras-chave: Sífilis Congênita, Coriorretinite, Cuidado Pré-Natal.
Síndrome de fosfoinositídeo 3-quinase-d ativada - mutação PIK3CD: relato de caso
Lorena Bonotto Horvatich; Herberto José Chong-Neto; Carlos Antônio Riedi; Nelson Augusto Rosario-Filho
Aneurisma da veia de galeno: relato de caso
Pedro Henrique Matias Peres; Paulo Roberto Margotto
Miastenia gravis juvenil: dificuldade diagnóstica na pediatria
Luiz Gonzaga Marques dos Reis Júnior; Caroline Silva Ramos; Thais Dias Araujo; Lélia Fernanda Machado Braga
RELATO DE CASO: Paciente de 13 anos, iniciou quadro progressivo de ptose palpebral, fraqueza da musculatura cervical, facial e de membros. Evoluiu ainda com refluxo gastroesofágico intenso e pneumonia broncoaspirativa. O quadro evoluiu de forma que a criança foi levada a vários serviços de pediatria públicos e privados, sem que tivesse um pronto diagnóstico ou suspeita clínica. Somente após vários meses e sucessivas internações, inclusive em UTI, o diagnóstico foi realizado e a paciente voltou a ter uma vida normal.
DISCUSSÃO: O caso apresentado constitui uma entidade de baixa incidência e de difícil diagnóstico quando já avançado e com complicações associadas sobrepondo às manifestações típicas. Há outras descrições na literatura corroborando tal afirmação. Após 9 meses de exacerbações e remissões, a paciente foi devidamente diagnosticada e tratada, evoluindo bem.
CONCLUSÕES: Entende-se que esse trabalho se faz de grande importância, chamando atenção para a importância da miastenia e para as doenças raras como um todo. A escassez de dados constitui um desafio. Palavras-chave: Miastenia Gravis, criança, Doenças da Junção Neuromuscular, Fadiga.
Síndrome de Miller-Dieker
Ana Clara Morett Amorim; Carla Quero Cunha Rodrigues; Livia Lobo da Silva Costa
Síndrome de Lemierre em paciente com artrite idiopática juvenil forma sistêmica em uso de tocilizumabe
Larissa Elias Pinho; Carlos Nobre Rabelo Júnior; Marco Felipe Castro da Silva
RELATO DE CASO: Um menino de 14 anos de idade, previamente diagnosticado com artrite idiopática juvenil sistêmica em uso de tocilizumabe como monoterapia, apresentou infecção orofaríngea com má resposta aos antibióticos de primeira linha. A tomografia computadorizada e a angiotomografia da região cervical evidenciaram melhora do abscesso e trombose completa da veia jugular interna com extensão para seio sigmoide e transverso. Antibiótico de amplo espectro foi iniciado juntamente com anticoagulação total devido à extensão e potencial gravidade da condição. Ele apresentou resolução da trombose intracraniana, mas manteve a trombose da veia jugular, com desenvolvimento de veias colaterais e sem complicações posteriores.
DISCUSSÃO: A síndrome de Lemierre é uma doença rara, caracterizada por trombose da veia jugular interna associada à história recente de infecção de orofaringe e sua hipótese diagnóstica não deve ser negligenciada em pacientes em terapia imunossupressora, permitindo a introdução precoce de antibióticos e anticoagulação adequados. Palavras-chave: Síndrome de Lemierre, Artrite Juvenil, Trombose dos Seios Intracranianos, Imunossupressores.
Síndrome de De Morsier: relato de dois casos na cidade de Petrópolis
Sherilyn Yasmine Fernandes; Marjorie Caroline Fernandes Gray; Andrea da Costa e Silva Dyonísio
OBJETIVOS: Relatar dois casos em Petrópolis/RJ, diagnosticados em diferentes idades e apresentar as possíveis evoluções da síndrome.
RELATO DE CASO: Caso 1: recém-nascida de parto domiciliar, trazida ao hospital após o nascimento, apresentou hipoatividade e hipotonia com 54 horas de vida. Foi solicitada ultrassonografia transfontanela, que evidenciou agenesia de corpo caloso; e fundoscopia, que evidenciou hipoplasia de nervos ópticos, sendo diagnosticada com displasia septo-óptica. Caso 2: Escolar de 8 anos apresentou-se ao ambulatório de pediatria com queixa de cegueira e baixa estatura. Após constatação de idade óssea inadequada, foi encaminhado ao ambulatório de endocrinopediatria, onde foi, após exames hormonais e ressonância magnética, diagnosticado com síndrome de De Morsier.
DISCUSSÃO: A displasia septo-óptica pode se apresentar ao nascimento com outras anormalidades ou ser diagnosticada mais tarde, em crianças com baixa estatura e alterações visuais. Trazemos o caso de um escolar de 8 anos, diagnosticado devido a manifestações endócrinas e visuais e atraso no crescimento, com uma evolução atípica da síndrome; e de um neonato com dois dias, sem outras malformações, cujo diagnóstico foi possível graças ao exame clínico, diferentemente da maioria dos casos na literatura. Palavras-chave: Displasia Septo-Óptica, Agenesia do Corpo Caloso, Hipopituitarismo.
Atuação multiprofissional na disfagia pediátrica
Vanessa Souza Gigoski Miranda; Camila da Cunha Niedermeyer; Micheli da Silva Tarnowski; Karoline Flach,; Katherine Flach; Lisiane De Rosa Barbosa