Volume 11 - Número 2
COVID-19 e suas manifestações nas crianças: uma revisão da literatura
Ana Flávia Lacotis; Ana Clara Benites-Ciani-de-Carvalho-Oliveira; Carolina Magalhães-Britto-Rodrigues; Rodrigo Afonso da Silva Sardenberg
Análise epidemiológica e clínica da infecção pelo novo coronavírus na população pediátrica: uma revisão sistemática
Larissa Nicolini de Santa; Mateus de Oliveira Prado; Mônica Baratto Vedovatto; Jáder Pereira Almeida
MÉTODOS: Para realizar tal análise, foram selecionados artigos através de uma estratégia de busca estruturada nos bancos de dados do PubMed, Cochrane e SciELO. Os artigos foram selecionados de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-analysis Protocol (PRISMA-P). E o protocolo de revisão (Prospero) foi registrado na York University sob o seguinte número de identificação: CRD CRD42020197304.
RESULTADOS: A pesquisa bibliográfica identificou 985 artigos. Após a triagem metodológica, 6 estudos foram elegíveis para esta revisão sistemática. O número de participantes variou de 10 a 43 crianças com idades entre 1 mês e 16 anos com predomínio da população masculina. A apresentação clinica foi variável, e pode se mostrar desde formas assintomáticas, o que representa a grande maioria, até casos graves que resultam em óbito. Nos casos sintomáticos, a doença, geralmente, se manifesta através de sintomas leves do trato respiratório. Já, em quadros mais graves, os pacientes podem cursar com insuficiência respiratória e síndrome inflamatória multissistêmica.
CONCLUSÃO: Estudos tem demonstrado que crianças tem apresentações clínicas mais brandas quando comparadas com adultos, além de recuperação mais rápida e melhor prognóstico. A causa para a diferença na manifestação da doença não está completamente elucidada com várias hipóteses sendo estudadas. Em termos de tratamento, os cuidados oferecidos são apenas suportivos, visando conforto do paciente e manejo das comorbidades. Palavras-chave: Infecções por Coronavírus, Síndrome Respiratória Aguda Grave, Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica, Coronavírus, Criança, Revisão Sistemática.
Trauma antes e durante a COVID-19 - consequências da quarentena num serviço de urgência pediátrica
Adriana Silva Costa; Bernardo Reis Monteiro; Maria Inês Mascarenhas; Helena Isabel Almeida
MÉTODOS: estudo restrospectivo realizado num hospital português. Foram incluídas todas as admissões no SUP entre 19 de Março e 19 de Maio de 2020 (período de confinamento) e comparadas com as visitas no mesmo período de tempo nos anos anteriores entre 2012 e 2018 (pre-pandemia).
RESULTADOS: Entre 19 de Março e 18 de Maio de 2020 foram admitidas 1879 crianças (média de 31 crianças por dia), 19.3% devido a lesões traumáticas (média de 6 por dia). A média por ano no grupo pre-pandemia era de 10042 visitas (média 167 crianças por dia), 18.5% devido a trauma (média 30 por dia). No grupo pre-pandemia 53.4% do trauma ocorria em adolescentes (>10 anos) e 21.7% em crianças abaixo dos 6 anos. Em 2020, 34% das lesões ocorreram em adolescentes e 58.6% em crianças abaixo dos 6 anos. O trauma foi responsável por 92% das admissões pre-pandemia, seguido do envenenamento (5.6%) e abuso (1.6%). Durante a pandemia, o trauma manteve-se a causa mais frequente (82%), aumentando a percentagem dos envenenamentos (14.4%) e abuso (3.6%). Em 2012-2018 existia uma clara diferença no ciclo semanal de admissões ao SUP devido a lesões traumáticas, com uma menor frequência aos fins-de-semana. Esta diferença deixou de se observar durante a pandemia, com uma distribuição regular ao longo dos dias da semana.
CONCLUSÕES: O confinamento alterou profundamente a atividade dos SUP e teve sérias consequências no estilo de vida das crianças. Palavras-chave: Envenenamento, Criança, Trauma Psicológico, Infecções por Coronavirus, Traumatismo Múltiplo, Maus-Tratos Infantis.
Sazonalidade da bronquiolite em recém-nascidos e lactentes jovens em tempos de pandemia pelo SARS-CoV-2
Vitoria Marino Dobarrio de Paiva; Mário Cícero Falcão; Felipe Matsushita; Cristina Erico Yoshimoto
MÉTODOS: Estudo retrospectivo, incluindo crianças de até 45 dias de vida, com bronquiolite, internados nos anos de 2018, 2019 e 2020. Foram selecionados dos prontuários: sexo; idade e peso à admissão; agente etiológico; tipo de suporte ventilatório; tempo de internação e desfecho. Análise estatística: comparação entre grupos por frequência (qui-quadrado), por média (ANOVA), por mediana (Mann-Whitney).
RESULTADOS: Em 2018, a frequência de internações por bronquiolites foi de 6,4%, em 2019, 4,2% e em 2020, 1,3%. Média de idade na internação (dias) (2018 - 33,7, 2019 - 33,7, 2020 - 31,6); peso médio à admissão (gramas) (2018 - 2978, 2019 - 3855 e 2020 - 3873); Agente viral isolado (2018 - 28,5%, 2019 - 55,5% e 2020 - 66,6%); ventilação mecânica invasiva (2018 - 14,3%, 2019 - 44,4% e 2020 - 100%); tempo médio de internação (dias) (2018 - 8 (7-12), 2019 - 5 (4-10), 2020 - 12 (8-16)); alta hospitalar em 100% dos casos.
CONCLUSÃO: Em 2020, houve uma redução drástica no número de internações por bronquiolite, justificada pelo isolamento social que resultou em menor circulação de vírus respiratórios. Palavras-chave: Bronquiolite, Bronquiolite Viral, Estações do Ano, Infecções por Coronavírus, Criança.
Análise do ensino de pediatria nas escolas médicas de Recife e região metropolitana: um estudo transversal
Germanna Virgínya Cavalcanti Silva; Luana Freire Góes Lima; Camila Esteves Paredes; Maria Amanda Londres Lopes Pinheiro; Mariana de Freitas Berenguer; Jéssica Bezerra Diniz Dantas; Jeddson do Rêgo Nascimento; Carmina Santos; Eduardo Jorge da Fonseca Lima
MÉTODOS: Estudo de corte transversal. A coleta de dados ocorreu por meio de formulário padronizado, as informações fornecidas pelos coordenadores e/ou docentes em entrevista presencial. Foram abordados aspectos relacionados à carga horária da graduação e das atividades destinadas ao ensino de pediatria, o momento de inserção da pediatria na grade curricular e cenários de aprendizagem prática. A amostra foi composta por seis escolas médicas.
RESULTADOS: A natureza jurídica das instituições apresentou-se da seguinte forma: pública federal 1/6, pública estadual 1/6 e privada 4/6. Todas apresentaram carga horária da graduação superior a 7.000 horas, a carga horária de pediatria variou entre 601 e maior que 1.000 horas. O primeiro contato dos estudantes com a pediatria ocorreu no primeiro ano do curso em quatro das instituições, nas demais, ocorreu entre o segundo e terceiro ano. As instituições realizam avaliação de competências clínicas nos primeiros quatro anos da graduação. Cinco delas já realizam, ou está prevista para ser realizada, a avaliação de competências clínicas durante o internato.
CONCLUSÃO: Verificou-se que o ensino de pediatria desenvolvido nas escolas médicas avaliadas apresenta diferenças de carga horária, embora a maioria acabe por contemplar os objetivos das diretrizes curriculares nacionais. O aumento na carga horária de pediatria teve relação com a implementação da estratégia saúde da família. Palavras-chave: Educação Médica, Faculdades de Medicina, Pediatria, Currículo.
Eficácia do uso do sulfato de magnésio intravenoso no tratamento da asma aguda em crianças e adolescentes: uma revisão integrativa
Cláudio Nunes da Silva; Alessandra Ribeiro Ventura Oliveira,,; Flávia Nunes da-Silva
Gravidez na adolescência: um estudo de base hospitalar
Carolina Dresch Dociatti; Maria Beatriz Reinert do Nascimento; Scheila Siebeneicher; Marco Antonio Moura Reis
MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, de abordagem quantitativa, por meio da avaliação de prontuários eletrônicos de adolescentes, com idade inferior a 18 anos, e de seus neonatos. Para caracterizar a população estudada, foram utilizados métodos estatísticos descritivos, calculando-se distribuições de frequências e medidas de tendência central. Para a análise da associação entre falta de realização de pré-natal satisfatório (oito consultas ou mais) e variáveis maternas e neonatais foram utilizados o teste do qui-quadrado e o teste exato de Fisher, admitindo-se um nível de significância de 0,05.
RESULTADOS: Foram 378 partos de gestantes com menos de 18 anos de idade. A frequência de prematuridade, baixo peso ao nascimento, admissão no berçário, óbito neonatal e amamentação à alta foram respectivamente 11,3%, 8,9%, 5,5%, 2,4% e 99,7%. Ter feito menos de oito consultas médicas no período pré-natal foi associado significativamente a variáveis neonatais como prematuridade, baixo peso ao nascer, internação na unidade neonatal e óbito neonatal (p=0,0000, p=0,0339, p=0,0231 e p=0,0152).
CONCLUSÕES: Assistência pré-natal insatisfatória foi associada à prematuridade, baixo peso ao nascer, admissão na unidade neonatal e óbito neonatal. Palavras-chave: Gravidez na Adolescência, Cuidado Pré-Natal, Recém-Nascido.
Revisão de literatura: a lei do acompanhante - sua importância e descumprimento
Cristiane Cremiude Ribeiro-Fernandes
MÉTODOS: Foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed e SciELO para localizar estudos abordando relatos sobre o cumprimento e importância da Lei no 11.108/2005 em hospitais brasileiros.
RESULTADOS: Dos 27 resultados, foram selecionados 4 estudos para compor esta revisão. A Lei Federal que garante a mulher o direito de estar acompanhada por alguém de sua escolha na rede pública de saúde é muitas vezes descumprida, levando a parturiente e o bebê a não desfrutarem dos inúmeros benefícios do acompanhamento durante todo o período de trabalho de parto. Esse descumprimento ocorre, principalmente, pelo não conhecimento da mãe de seus direitos e pelo autoritarismo de instituições públicas e de seus colaboradores que não permitem à mãe ter o seu direito cumprido.
CONCLUSÃO: É de suma importância que os líderes de maternidades públicas estejam atentos a esse descumprimento para mudar este cenário. Palavras-chave: Parto Obstétrico, Sistema Único de Saúde, Jurisprudência.
Perfil de ensaios clínicos pediátricos para COVID-19 no ClinicalTrials.gov: uma revisão sistemática
Marina Romi Zanatta Covolan; Luiza Regina Vilela Costa Tsuruda; Daniela Sampaio Silva; David Aciole Barbosa; Rubens Pasa; Karine Frehner Kavalco; Fabiano Bezerra Menegidio
OBJETIVO: Assim, esse estudo conduziu uma revisão de ensaios clínicos registrados no banco de dados Clinical Trials sobre o tratamento medicamentoso em pacientes pediátricos com COVID-19.
MÉTODOS: Uma pesquisa sistemática foi realizada no banco de dados Clinical Trials (https://clinicaltrials.gov/) usando a técnica de rastreamento da web para coletar ensaios clínicos re-gistrados que conduziram tratamento medicamentoso em pacientes pediátricos de 0 a 17 anos. Após as drogas utilizadas serem identificadas, sua posologia e outras informações pertinentes foram obti-das junto aos bancos de dados DrugBank (https://go.drugbank.com) e no DrugBase (https://www.drugbase.de).
RESULTADOS: Foram encontrados na pesquisa 8 ensaios clínicos classifi-cados como concluídos e 34 em andamento direcionados aos pacientes pediátricos. Os Estados Uni-dos foi o país que mais desenvolveu pesquisas envolvendo o uso medicamentoso em pacientes com COVID-19 pediátrica. A hidroxicloroquina foi a droga mais observada no tratamento dos pacientes pediátricos, seguida da remdesivir. Um aumento de ensaios de fase 3 e randomizados também foi observado entre as pesquisas em andamento quando comparadas com as pesquisas concluí-das.
CONCLUSÃO: Em comparação com adultos, a COVID-19 pediátrica tem necessidades distintas de tratamento. Assim, torna-se importante a conclusão dos ensaios clínicos descritos no presente estu-do, além de mais ensaios clínicos randomizados, antes que qualquer terapêutica ou outros objetos relacionados aos processos de manejo clínico para COVID-19 possam ser adequadamente recomen-dados e aplicados no tratamento pediátrico. Palavras-chave: Coronavírus, Infecções por Coronavírus, Tratamento de Emergência, Criança, Ensaios Clínicos como Assunto.
Estudo comparativo dos critérios para o diagnóstico da tuberculose pulmonar infantil
Maria Eugênia de Camargo Julio; Alexandra Monteiro; Mônica de Cássia Firmida; Diego Rodrigues Tavares; Ana Josiele Ferreira Coutinho
Associação do peso ao nascer no desenvolvimento de sobrepeso/obesidade em escolares com idade entre 5-9 anos em Fortaleza, Ceará, Brasil
Ellen Mourão Soares Lopes; Erika Feitosa Queiroz; Naiara Nogueira de Araújo Meneses Cavalcante; Virna da Costa e Silva,
OBJETIVO: Este trabalho pretende verificar a associação entre o peso ao nascimento e sobrepeso/obesidade em crianças de 5 a 9 anos.
MÉTODOS: Estudo observacional e descritivo, transversal, com dados primários de amostra de 500 escolares de 5 a 9 anos de instituições públicas da cidade de Fortaleza/CE. Utilizaram-se dados coletados por formulário estruturado, de relato da história familiar pelos responsáveis, e medidas de peso e estatura aferidas durante entrevista. Variáveis contínuas foram comparadas por testes não-paramétricos e variáveis independentes por qui-quadrado e do teste exato de Fisher, significativas com valor p<0,05.
RESULTADOS: Baixo peso (<2.500g) e peso superior a 3.500g correlacionaram-se positivamente com sobrepeso/obesidade. Quarenta por cento dos que nasceram com baixo peso e 52,9% dos que nasceram com peso superior a 3.500g tinham sobrepeso/obesidade na idade escolar (p=0,001). Observou-se também associação estatisticamente significante com a classe social mais baixa (OR=3,51; IC95%: 1,60-7,69), com a renda per capita maior (OR=1,59; IC95%: 1,08-2,33) e com o peso ao nascer >3.500g (OR=2,55; IC95%: 1,67-3,90).
CONCLUSÃO: Este estudo demonstrou associação estatisticamente significativa entre o peso ao nascer com sobrepeso e obesidade, corroborado por outros estudos que também investigaram essa associação. Palavras-chave: Peso ao Nascer, Doenças Cardiovasculares, Obesidade Pediátrica.
Dermatoses na infância: perfil dos pacientes atendidos no mutirão de dermatologia pediátrica
Renata Rolim Sakiyama; Kerstin Taniguchi Abagge
MÉTODOS: Trata-se de um estudo retrospectivo, transversal, observacional e analítico. Os dados foram coletados a partir das fichas dos pacientes atendidos, sendo incluídas as crianças e adolescentes de zero a dezesseis anos atendidas no mutirão. Os dados avaliados foram: idade, sexo, tempo de evolução da doença, tratamentos prévios, comorbidades, hipóteses diagnósticas, condutas e desfechos.
RESULTADOS: Dos 261 pacientes, 59% eram do sexo feminino, 13,8% lactentes, 31,4% pré-escolares, 31,8% escolares e 22,9% adolescentes. 62,5% não apresentava comorbidades, e entre as que apresentavam, observou-se um predomínio de doenças atópicas: rinite em 22,6% dos casos e asma em 15%. A maioria, 63,2%, já havia recebido algum tipo de tratamento. O grupo das doenças eczematosas foi o mais prevalente (37,2%), seguido pelas infecciosas (21%) e hiperplasias e neoplasmas benignos (15,7%). Dermatite atópica ocorreu em 19,9% dos pacientes. Entre as infecções, as virais ocorreram em maior número (11,8%), principalmente nos grupos pré-escolar e escolar. Dentro das desordens glandulares a acne foi a mais frequente (11,5%), tendo sua maior prevalência no grupo de adolescentes. Mais da metade dos pacientes recebeu alta, 32,6% foram encaminhados para a dermatologia pediátrica e 9,6% orientados a manter o acompanhamento na unidade de saúde.
CONCLUSÃO: As doenças eczematosas foram as mais frequentes, seguidas pelas infecciosas e pelo grupo das hiperplasias e neoplasmas benignos. A dermatite atópica foi a doença mais prevalente entre os pacientes atendidos. Palavras-chave: Dermatopatias, Pediatria, Saúde da Criança, Saúde do Adolescente.
Cuidados paliativos em neurologia pediátrica
Eli Paula Bacheladenski; André Luis Santos do Carmo
MÉTODOS: Revisão de literatura nas bases de dados: PubMed, SciELO e LILACS, utilizando a combinação das palavras-chave na forma de pesquisa simples e avançada. Foram aplicados os filtros de pesquisa: seres humanos, idades de 0 a 18 anos, publicação nos últimos 10 anos, nas línguas: portuguesa, inglesa ou espanhola.
RESULTADOS: Aplicados os critérios de inclusão e exclusão, foram obtidos 24 artigos sobre o tema. A desnutrição é um problema importante entre pacientes com doenças neurológicas, em especial devido à disfagia. A nutrição enteral através de tubos é medida muito eficaz e pouco utilizada para melhora do estado nutricional. O excesso de secreção orotraqueal e a disfagia trazem grave risco aos pacientes e a indicação de procedimentos como a separação laringotraqueal podem diminuir drasticamente este risco. Transtornos de humor também devem ser devidamente diagnosticados e abordados, bem como deve haver discussão precoce com os cuidadores sobre terminalidade e luto.
CONCLUSÃO: A indicação de CP deve ser cada vez mais incentivada e realizada na neurologia pediátrica, conforme preconizada, ao diagnóstico de uma doença potencialmente fatal ou que ofereça graves restrições ao desenvolvimento, visando melhora na qualidade de vida dos pacientes. Palavras-chave: Cuidados Paliativos, Pediatria, Criança, Doenças do Sistema Nervoso.
Avaliação das internações hospitalares por eventos agudos em pacientes pediátricos portadores de doença falciforme em um hospital de referência em Salvador/BA
Isa Menezes Lyra; Humberto Vieira Calmon de Siqueira; Vitor Monti Aguiar Stavola de Menezes
MÉTODOS: Estudo transversal de pacientes com diagnóstico de doença falciforme (CID D57.0, D57.1, D57.2, D57.8), com idade até 18 anos, internados por eventos agudos, no período de janeiro/2013 a junho/2018, em hospital de referência de Salvador/BA. As variáveis de interesse foram clínicas e demográficas (idade, gênero, genótipo de hemoglobina, causa e custo de internação) e obtidas dos prontuários médicos. Os dados foram analisados utilizando o Statistical Package for the Social Sciences v. 23.0 com estatística descritiva e testes qui-quadrado, exato de Fisher, Mann-Whitney e t de Student. Protocolo de pesquisa aprovado pelo comitê de ética em pesquisa em seres humanos das Obras Sociais Irmã Dulce. Resultados: Foram analisadas 53 internações, com evento vasoclusivo sendo a principal causa (20-37,7%), seguido de infecção (15-28,3%) e síndrome torácica aguda (8-15,1%). 23 (73,58%) das internações ocorreram na primeira década de vida (p=0,008). Apenas 4 (7,5%) utilizavam hidroxiureia. 45,3% das internações ocorreram no outono e 11,3% na primavera (p=0,04).
CONCLUSÃO: Apesar da inversão das principais causas de internação, ainda continuam sendo as mais prevalentes, reforçando a possibilidade da necessidade de melhor adesão às medidas profiláticas e melhor acesso ao tratamento ambulatorial com hidroxiureia em rede estruturada e bem distribuída. Palavras-chave: Anemia Falciforme, Hospitalização, Pediatria, Doença da Hemoglobina SC.
Premiações, parabéns, agradecimentos, e-book e desafios: 10 anos da revista Residência Pediátrica
Clemax Couto Sant´Anna
Aspectos bioéticos na prevenção da transmissão vertical e manejo do tratamento com antirretrovirais em gestantes portadoras de HIV/AIDS no Brasil
Cristiane Cremiude Ribeiro-Fernandes
COVID-19 em pediatria: relato de um caso de síndrome inflamatória multissistêmica
Bruno de Lima; Emanuela da Rocha Carvalho,
Líquen plano na infância: um relato de caso raro
Ana Paula da Cruz Gontijo; Julliana Rodrigues Soares; Luisa França Rocha; Mariana Gualandi Murad; Carolina Oliveira Felipe; Brenda Bernabé de Oliveira; Laisa Fiorezi Bassini; Karina Demoner de Abreu-Sarmenghi
Síndrome de Stevens-Johnson em pré-escolar em tratamento de pneumonia: relato de caso
Caroline Arns-Neumann; Camila Silvino Alves; Fernanda Yuki Ito; Beatriz do Rosario Schmidt; Larissa Habib Mendonça Topan; Leisiane Maia Cleve Bittencourt
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 5 anos, branco, apresentou lesão bolhosa em lábio superior e febre, após um quadro de amigdalite bacteriana seguido de pneumonia, em que foram administrados sequencialmente amoxicilina, amoxicilina-clavulanato e ceftriaxona. Houve disseminação das lesões na mucosa oral e internamento com suspeita de farmacodermia devido ao uso dos antibióticos. Mesmo após troca do antibiótico e prescrição de anti-histamínicos, o paciente evoluiu com aumento do número de bolhas nas mucosas labial, oral e nasal, na língua, aparecimento de edema palpebral, lesão cutânea em pavilhão auricular e enantema conjuntival, genital e perianal. O paciente foi admitido na UTI pediátrica e foi realizada a biópsia das lesões cutâneas, que demonstrou extensa necrose epidérmica inferior com infiltrado de células inflamatórias, o que confirmou a suspeita diagnóstica da síndrome de Stevens-Johnson. O tratamento foi realizado com o uso de corticoide oral, prednisolona na dose de 1mg/kg/dia por 10 dias, com desmame gradual por mais 12 dias e uso de curativos com membrana de celulose.
CONCLUSÃO: O caso aborda a provável correlação da síndrome de Stevens-Johnson com o uso de amoxicilina e apresenta as manifestações clínicas características da SSJ, evidenciando a importância da suspeita diagnóstica e do tratamento precoce dessa condição. Palavras-chave: Síndrome de Stevens-Johnson, Amoxicilina, Hipersensibilidade a Drogas, Criança, Pré-escolar.
COVID-19 em neonato com cardiopatia congênita: relato de caso
Paula Pires de Souza; Fernanda A. Oliveira Peixoto; Lais da Silveira Botacin; Melissa Ameloti Avelino
Cetoacidose diabética em paciente pediátrico associada a COVID-19: relato de caso
Kamilla Martins Duarte de Pádua; Bruna Serpa Silva; Glaucia Naves Silva; Wânia Martins Freitas Albuquerque; Fernando Neves de Paula; Alessandra Ribeiro Ventura Oliveira; Maria Carolina Guimarães Santos Alves
Aterosclerose coronariana obstrutiva fatal em criança de 9 anos: relato de caso
Lucas Santiago Santos do Carmo; Maria José Leão Lima; Rogério dos Anjos Miranda
Linfohistiocitose hemofagocítica por vírus Epstein-Barr: relato de caso em pediatria com abordagem diagnóstica
Jáder Pereira Almeida; Paulo Ramos David João
OBJETIVO: Apresentar o caso de uma criança que desenvolveu HLH por vírus Epstein-Barr com evolução grave, descrevendo o processo de investigação até o diagnóstico.
RELATO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 5 anos, apresentou febre diária associada à odinofagia e aumento do volume da região cervical por 10 dias antes da internação. Evoluiu com neutropenia febril e disfunção de múltiplos órgãos. Ampla investigação diagnóstica foi realizada, confirmando HLH por EBV. Apesar do tratamento, o paciente morreu de hemorragia pulmonar.
DISCUSSÃO: Linfohistiocitose hemofagocítica faz parte do diagnóstico diferencial de linfadenopatia cervical. Em alguns pacientes, existe dificuldade de confirmação diagnóstica devido à ausência de critérios diagnósticos no início do quadro. Além disso, a ocorrência de manifestações atípicas do EBV pode dificultar a interpretação dos exames complementares.
CONCLUSÃO: É necessário alto nível de suspeição de maneira a realizar diagnóstico precoce e contribuir para maior sobrevida aos pacientes que venham a desenvolver essa doença. Palavras-chave: Linfohistiocitose Hemofagocítica, Linfadenopatia, Infecções por Vírus Epstein-Barr, Pediatria.
Síndrome de Pfeiffer tipo 2: relato de um caso
Lais Miranda Balseiro; Ingrid Pimentel Buosi; Haroldo Teófilo de Carvalho; Mauro Hatsuo Suetugo; Luis Antônio Baraldi
RELATO DE CASO: Recém-nascido do sexo masculino, pré-termo de 33 semanas e 2 dias, ultrassonografia seriada sugerindo no segundo trimestre presença de craniossinostose e outras anomalias como vértebras irregulares e estreitas, paquigiria e ventriculomegalia, sendo confirmada posteriormente com ressonância magnética. Não foram necessárias medicações e manobras obstétricas para o nascimento. Apgar de 4, frequência cardíaca menor que 100bpm, evolução respiratória precária, havendo necessidade de intubação orotraqueal, cateterismo venoso umbilical e sonda orogástrica. Com 2 horas de vida, apresentou bradicardia juntamente com instabilidade hemodinâmica, evoluindo para uma parada cardiorrespiratória sem sucesso na reanimação cardiopulmonar. Foi à óbito 3 horas após nascido.
COMENTÁRIOS: A síndrome de Pfeiffer é rara, sendo a tipo 2 a mais letal por possuir crânio em forma de trevo. É associada a mutações genéticas em receptores de crescimento de fibroblastos FGFR1, FGFR2 e FGFR3. A fusão prematura das suturas cranianas impede o crescimento normal do crânio interferindo no formato da face e cabeça. O prognóstico está associado à gravidade das anomalias e ao diagnóstico precoce através da história gestacional e familiar, por exames físicos detalhados e de imagens (ultrassonografia tridimensional e ressonância magnética). O paciente deve possuir tratamento multidisciplinar logo ao nascimento. Palavras-chave: Acrocefalossindactilia, Criança, Craniossinostoses.
Pancreatite posterior a infecção por SARS-CoV-2 em paciente pediátrico indígena da tribo Paranapuã
Kamilla Mayr Martins Sá; Gabriela Coyado Grilo André Cruz; Isabella de Almeida Flores; Lorena Costa Araújo; Emília Soto Estebez; Iane Rocha Holanda; Gabriela Resende da Silva; Ulisses Kiskissian Martins; Marilene Kiskissian Martins; Rogério Aparecido D Dedivits
RELATO DE CASO: Paciente indígena do sexo feminino de 7 anos, da tribo Paranapuã, com histórico de contato com comunidade com infectados pela COVID-19, apresentando quadro de pancreatite aguda de etiologia desconhecida mesmo depois de investigação laboratorial e por imagem, apresentando acometimento pulmonar e IgG positivo para SARS-CoV-2.
COMENTÁRIOS: No limiar da pandemia da COVID-19 verificou-se um aumento do acometimento de diversos órgãos e sistemas, principalmente em pacientes pediátricos, intrigando o aparecimento de quadros inflamatórios como a pancreatite aguda. Esse é um relato de caso descrevendo um acometimento raro e ainda não descrito na literatura de forma extrapulmonar da COVID-19, de uma possível correlação entre quadro inflamatório viral e acometimento de pâncreas em paciente indígena Paranapuã. Palavras-chave: Pancreatite, Infecções por Coronavírus, Povos Indígenas.
Síndrome de Hamman na infância - relato de caso
Caroline Scantamburlo Martins; Alline de Mello Ramalho; Anyne Silva Bairral França; Ana Carolina Gaudard; Victor Kamel Farsoun Junior
RELATO DE CASO: Paciente do sexo masculino, oito anos, com quadro de tosse, dispneia e cornagem sem melhora ao tratamento para asma, a base de corticoide venoso e broncodilatador inalatório. Paciente foi submetido à extensa investigação com exames de imagem que sugeriram e confirmaram diagnóstico de pneumomediastino, excluindo causas externas - como trauma ou cirurgia de tórax - que pudessem ter evidente relação com as características observadas. O quadro teve involução espontânea com tratamento de suporte.
CONCLUSÃO: Síndrome de confirmação diagnóstica por imagem, geralmente de evolução benigna, com resolução espontânea e necessidade apenas de tratamento de suporte. Palavras-chave: Enfisema Mediastínico, Pneumomediastino Diagnóstico, Dispneia.
Encefalocele nasoetmoidal e nasofrontal: relato de caso
Mariana dos Santos Teixeira; Fabiana Jorge Bueno Galdino Barsan; Valéria Cardoso Alves Cunali; Barbara Elias do Carmo Barbosa; Kellen Cristiny Oliveira
RELATO DE CASO: Lactente, sexo feminino, nascida a termo, parto vaginal, 3,570g, natural e procedente de Uberaba. Após nascimento permaneceu internada devido à cardiopatia congênita e síndrome de Down, sendo realizado cirurgia cardíaca. Nesse período, ao ser realizado fisioterapia respiratória percebeu-se dificuldade de introduzir sonda nasal aspirativa, sendo encaminhada ao otorrino, sem achados significativos, foi realizado tomografia craniana aos 4 meses, que diagnosticou a lactente com encefalocele nasoetmoidal e nasofrontal. A encefalocele é uma anomalia rara, com alto índice de morbidade, mortalidade e risco de complicações. Ela está relacionada com outras patologias diagnosticada na paciente e o com os fatores antecedentes ao nascimento, causas genéticas e ambientais.
COMENTÁRIOS: Embora a encefalocele seja rara, com alta mortalidade e morbidade, é de grande importância conhecer sobre os fatores que estão relacionados com essa anomalia, tanto para diagnóstico precoce, quanto para prevenção. Palavras-chave: Encefalocele, Genética, Síndrome de Down.
Astrocitoma intramedular na infância
Caroline Paula Silva; Carolina Rodrigues Ercolano; Dayara Mussi Salomão; Thaiza Helena Labre Abdalla; Ana Paula Kuczynski,
Deficiência intelectual e dismorfias em criança com deleção 14q32.31-q32.33: relato de caso
Simone de Menezes Karam,; Roberto Giugliani,; Sharbel W. Maluf; Kevin Francisco Durigon Meneghini; Mariluce Riegel,
OBJETIVO: O teste para micro-arranjos cromossômicos é considerado o teste diagnóstico padrão para pacientes que apresentem deficiência intelectual ou atraso global no desenvolvimento inexplicados, desordens do espectro autista e anomalias congênitas múltiplas sem diagnóstico clínico, pois o referido teste é bastante sensível, aumentando a chance de diagnóstico e mostrando a região envolvida e seu tamanho.
DESCRIÇÃO DO CASO: Este é o relato sobre uma menina com deficiência intelectual, hipotonia, retardo de crescimento pós-natal e dismorfias com uma deleção terminal em 14q cujo diagnóstico foi elucidado somente após seis anos através do teste para micro-arranjos cromossômicos. Palavras-chave: Hibridização Genômica Comparativa, Citogenética, Deficiência Intelectual, Deleção de Sequência.
Lesão congênita rara como causa atípica de estridor neonatal: relato de caso de teratoma congênito de orofaringe (epignathus) causando manifestação tardia de obstrução de via aérea
Melissa Ameloti Avelino; Leticia S Almeida Prado Berquó; Juliana Alves Caixeta; Camilla Gabriela Oliveira
RELATO DE CASO: Relatamos um caso atípico onde lactente de 44 dias, nascido sem intercorrências, mas com relato dos pais de estridor leve, desde o nascimento, sem investigação, evoluiu com insuficiência respiratória grave necessitando de intubação orotraqueal em serviço de emergência. Na ocasião foi detectado lesão em massa obstruindo via aérea. Após exérese cirúrgica da lesão, estudo histopatológico revelou teratoma maduro.
CONCLUSÃO: O estridor neonatal, ainda que discreto, requer uma investigação adequada da etiologia provável. Na prática médica, os casos de estridor grave associado a sintomas como esforço respiratório ou dificuldade de alimentação tendem a ser mais valorizados. Teratoma epignatus não é uma causa comum de estridor neonatal, principalmente em manifestação tardia. Palavras-chave: Teratoma, Sons Respiratórios, Obstrução de Vias Aéreas, Criança.
Tuberculose pulmonar confirmada em lactente: relato de caso
Victória Maria Jardim Jardim; Juliana Dal Col Alves; Eveline de Fátima Almeida Fonseca Eduardo; Renata de Souza da Silva; Rafaela Altoé de Lima; Sabrina Cavalcanti de Barros Fonseca
Pneumonia lipóide exógena em lactente
Ana Flávia Varella e Silva
RELATO DE CASO: LGZ, sexo masculino, cinco meses, previamente hígido, em aleitamento materno exclusivo, com relato materno de ausência de evacuação há seis dias. Procurou atendimento médico na unidade básica de saúde (UBS), onde foi prescrito óleo mineral e, posteriormente, alta domiciliar. Ela relatou que ao administrar óleo mineral paciente apresentou uma crise de engasgo seguida de tosse e vômito. Após quatro horas do evento foi trazido ao serviço de emergência, devido ao quadro de gemência. Deu entrada em regular/mau estado geral, choroso, taquipneico, com obstrução nasal e gemente, saturando 90% em ar ambiente. Foram realizadas medidas de suporte não invasivas, seguida de rastreamento infeccioso e radiografia de tórax. Optou-se pelo início imediato de antibioticoterapia parenteral por pneumonia lipoide exógena. Permaneceu internado em enfermaria por 10 dias, recebeu corticoterapia (metilprednisolona 2mg/kg/dia) e antibioticoterapia com amicacina (15mg/kg/dia) e clindamicina (30mg/kg/dose) para cobertura de infecção secundária. Durante internação, realizou tomografia computadorizada de tórax no 3º dia e procedeu-se a coleta de lavado broncoalveolar no 9º dia. Evoluiu bem, tendo recebido alta hospitalar após 10 dias de internação, em bom estado geral, eupneico, permanecendo em acompanhado ambulatorial, sem aparentes sequelas.
CONCLUSÕES: A pneumonia lipoide é uma patologia potencialmente fatal, causada pelo preenchimento alveolar por óleo, impedindo a troca gasosa. O tratamento principal é a suspensão imediata do óleo mineral. Palavras-chave: Pneumonia Lipoide, Criança, Óleo Mineral, Diagnóstico, Lavagem Broncoalveolar.
Macrocefalia no lactente: nem sempre um sinal ominoso
Sângela Fernandes da Silva; Lara Samanta Barbosa Ribeiro; Nara Lívia Rezende Soares; Giuliano da Paz Oliveira
Anemia grave aguda desencadeada por eritrovírus B19
Alline de Mello Ramalho; Isabela de Atayde Pacheco Cordeiro; Caroline Scantamburlo Martins; Anyne Silva Bairral França; Carolina Castello Branco Otoni de Miranda
OBJETIVO: Relatar caso de crise aplástica transitória desencadeado por eritrovírus em escolar previamente hígida.
RELATO DE CASO: Paciente de 10 anos, com quadro de inapetência, vômitos, astenia e três episódios de queda da própria altura. Exames laboratoriais sugeriram anemia grave e confirmaram crise aplástica transitória desencadeada por eritrovírus B19.
CONCLUSÃO: Este relato contribui para informar os profissionais sobre a crise aplástica transitória desencadeada por eritrovírus B19 em criança previamente hígida, como alerta para um diagnóstico precoce e um bom tratamento de suporte. Este caso teve uma evolução benigna, houve a necessidade de transfusão sanguínea e o tratamento foi somente de suporte. Palavras-chave: Anemia Aplástica, Parvovírus B19 Humano, Anemia.
Protoporfiria eritropoética: apresentação clínica em criança com diagnóstico prévio de lúpus eritematoso cutâneo
Charles Marques Lourenco; Rafael Bogas; Ricardo Calvo; Ygor Brasil; Zumira A. Carneiro