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ISSN (On-line) 2236-6814

doi.org/10.25060/residpediatr

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Tuberculose pulmonar bacilífera em adolescente: um relato de caso

Fernanda Hostim Rabello Ohira; Marina Luise Dorow Persch; Paula Hardt; Marina Padulla Okimura; Thais Isabel da Silva Ribeiro; Jennifer Lana da Silva

Resid Pediatr. 2026
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INTRODUÇÃO:  A tuberculose (TB) é uma infecção causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com predomínio de manifestações pulmonares. Em crianças e adolescentes, a baixa sensibilidade dos métodos diagnósticos e a dificuldade de identificação da doença contribuem para a subnotificação. Entre adolescentes, é comum o abandono e a não adesão ao tratamento, o que aumenta o risco de desfechos negativos. Assim, é essencial o reconhecimento e manejo precoce da doença nessa população.
OBJETIVO: Relatar um caso de TB pulmonar bacilífera em adolescente.
RELATO DE CASO: Paciente masculino, 13 anos, asmático, com febre persistente, tosse seca e perda de peso há dois meses, sem resposta à antibioticoterapia. A radiografia de tórax mostrou condensação em lobo inferior direito. Internado por piora clínica, foi encaminhado ao CEDAP após TC sugestiva de TB. A baciloscopia hospitalar foi inconclusiva, mas a ambulatorial foi positiva para BAAR. O escore clínico do Ministério da Saúde pontuou 35, reforçando o diagnóstico. Iniciou-se esquema RHZE com evolução favorável, negativação da baciloscopia em dois meses e melhora clínica.
CONCLUSÃO: A TB em adolescentes permanece subdiagnosticada, com risco aumentado de complicações. O caso reforça a importância da suspeição clínica e do início precoce do tratamento. É fundamental capacitar as equipes de saúde, principalmente na atenção primária, e valorizar quadros respiratórios persistentes. A abordagem da TB nessa faixa etária deve ser multidimensional, com vigilância ativa e tratamento supervisionado para interromper a cadeia de transmissão e melhorar os desfechos.

Avaliação do uso de terapêuticas não indicadas para o tratamento de bronquiolite viral aguda em um hospital secundário no estado do Ceará: estamos cometendo excessos?

Isabela Perini Teixeira; Angelica Gomes Belchior; Melyssa Cavalcante Santana; Caio César Otôni Espíndola Rocha

Resid Pediatr. 2026
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INTRODUÇÃO: A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção respiratória comum em lactentes, cujo tratamento recomendado se baseia em medidas de suporte. No entanto, a prescrição de terapias não indicadas ainda é frequente na prática clínica.
OBJETIVO: Avaliar a frequência de uso de terapêuticas não recomendadas no manejo da BVA em um hospital secundário no Ceará.
MÉTODOS: Estudo observacional, transversal e retrospectivo, realizado por meio da análise de prontuários de crianças menores de 24 meses internadas com diagnóstico de BVA entre janeiro e julho de 2023. Foram coletados dados demográficos, clínicos e terapêuticos.
RESULTADOS: Foram incluídas 172 crianças, com média de idade de 5,7 meses. A nebulização com broncodilatadores foi realizada em 97,7% dos casos, com tempo médio de 6,8 dias. A corticoterapia foi prescrita em 48,3% dos pacientes, e a antibioticoterapia, em 82,6%, com tempo médio de 4,8 dias. A azitromicina foi o antibiótico mais utilizado. Observou-se também uso de solução salina hipertônica (33,1%) e outros fármacos sem comprovação de benefício.
CONCLUSÃO: O estudo evidenciou uso elevado de terapias não recomendadas no tratamento da BVA, em discordância com as diretrizes atuais. Esses achados reforçam a necessidade de implementação de protocolos clínicos baseados em evidências e de estratégias educacionais que promovam o uso racional de medicamentos, visando à maior segurança do paciente e eficiência na utilização de recursos em saúde.

Explorando o conhecimento sobre amamentação: um estudo na maternidade da Santa Casa de Belo Horizonte

Luiza Marques Grossi; Mariele Vilela Rios; José Mariano Sales Alves Júnior

Resid Pediatr. 2026
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INTRODUÇÃO: A amamentação é crucial para a saúde materno-infantil, influenciando desenvolvimento e bem-estar, com benefícios à saúde pública.
OBJETIVO: Avaliar o conhecimento materno sobre amamentação, funções e repercussões.
MÉTODOS: Estudo transversal, quantitativo e descritivo, baseado no conhecimento de mulheres sobre amamentação na Maternidade Hilda Brandão, Santa Casa de Belo Horizonte, através de questionários. O estudo não apresenta financiamento ou conflitos de interesse.
RESULTADOS: A amostra majoritariamente possuía ensino médio completo e renda de até dois salários mínimos. A maioria realizou pré-natal de risco habitual com mais de dez consultas, foi amamentada na infância e já havia amamentado. O principal apoio veio do meio social, e o conhecimento sobre o tema foi considerado razoável, adquirido principalmente por profissionais de saúde. A maioria não acreditava em “leite fraco”. A amamentação foi vista como benéfica, auxiliando na perda de peso e prevenção de câncer; apesar disso, algumas mulheres acreditavam estar relacionada com a flacidez mamária. A maioria acreditava em técnica de amamentação, com dificuldade em identificar a pega correta em imagem real.
CONCLUSÃO: A relevância do debate é justificada pela manifestação de interesse e preocupação com o tema por parte da maioria das mulheres, apesar das desinformações.

Tuberculose osteoarticular em criança imunocompetente: um relato de caso

Lis de Souza Martinelli; Isabela Flebbe Strapazzon; Sofia de Miranda Caçote; Isadora Durieux Lopes Destri; Guido Tasca Petroski; Franciso de Souza Santos; Carolina Resende Markiewicz Pastre; Emanuela da Rocha Carvalho,

Resid Pediatr. 2026
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INTRODUÇÃO: A tuberculose (TB) é um importante problema de saúde pública no Brasil, sendo classificada atualmente como a principal causa de morte por agente infeccioso no mundo. Em crianças e adolescentes, a doença apresenta desafios diagnósticos, especialmente nas formas extrapulmonares. A TB óssea, embora rara, apresenta clínica inespecífica e, frequentemente, afeta a coluna e grandes articulações.
OBJETIVOS: Descrever o caso de paciente imunocompetente com TB osteoarticular, assim como suas intercorrências e o seu desfecho.
RELATO DE CASO: Este relato descreve o caso de uma paciente de quatro anos e quatro meses, com quadro de monoartrite por Mycobacterium tuberculosis em joelho direito de evolução insidiosa, sem sintomas extra-articulares, e sem história de contato prévio com TB. À ressonância magnética, apresentou lesão sugestiva de osteomielite femoral distal, associada à linfonodomegalia poplítea. A paciente recebeu antibioticoterapia para germes comuns e abordagem cirúrgica da articulação, sem resposta clínica. A cultura e pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) foram negativas e a confirmação do diagnóstico etiológico foi feita através da identificação do complexo M. tuberculosis no teste rápido molecular. O tratamento foi realizado com fármacos antituberculose, o que resultou em evolução clínica e radiográfica satisfatórias, levando à cura da paciente.
CONCLUSÃO: O caso expõe a TB osteoarticular como diagnóstico diferencial necessário e desafiador durante a condução de casos de artrite na população pediátrica, sendo o domínio dos métodos diagnósticos essencial para orientar a investigação adequada.

Relato de caso: Torção esplênica em criança

Pedro José Prá; Larissa Lucas Scremin; Willian Sangalli; Letícia Lorenzon; Franco Augusto Alberti

Resid Pediatr. 2026
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Relato de caso de uma criança de 3 anos, submetida à laparotomia de urgência por torção esplênica. Essa condição rara ocorre por defeito nos ligamentos que fixam o baço e pode levar à isquemia do órgão. Os sintomas são característicos de abdome agudo, como dor abdominal intensa, náusea e distensão. Os achados de imagem são fundamentais para o diagnóstico da patologia. Na tomografia, é possível observar principalmente o aumento do órgão, enquanto, no Doppler, é visível o ingurgitamento vascular, caso haja isquemia do órgão. O prognóstico pós-operatório geralmente é favorável se for realizado diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica urgente, em casos de isquemia realiza-se esplenectomia e, quando o órgão não está infartado, a esplenopexia pode ser considerada. No caso descrito, o baço do paciente foi preservado devido à intervenção cirúrgica, porém, ao longo de dois anos em acompanhamento ambulatorial, foi diagnosticada asplenia funcional.

Cirurgia de Kasai em paciente com síndrome de Rubinstein-Taybi: relato de um caso

Ana Luisa Zambelli Mesquita de Oliveira; Melina Silva Bellodi; Maria Angela Bellomo Brandão; Adriana Maria Alves de Tommaso; Gabriel Hessel; Roberta Vacari de Alcântara

Resid Pediatr. 2026
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A síndrome de Rubinstein-Taybi é uma doença genética rara, descrita inicialmente em 1963. Suas características mais marcantes incluem dismorfismos faciais, esqueléticos, anormalidades neurológico-comportamentais e dermatológicas, além de predisposição a neoplasias, podendo ainda acometer diversos outros órgãos e sistemas. Neste relato, apresentamos o primeiro caso de um paciente com síndrome de Rubinstein-Taybi submetido à portoenterostomia de Kasai por atresia de vias biliares. A associação de ambas as condições clínicas foi descrita anteriormente na literatura apenas uma vez, mas sem menção ao tratamento cirúrgico ou evolução do quadro.

Manejo conservador de aplasia cútis congênita com exposição meníngea: relato de caso com tratamento tópico à base de ácidos graxos essenciais, copaíba e melaleuca

Iohana Falcão Rebouças Assayag; Ana Rosana Alencar Guedes Mont’alverne; Fernando Antônio Barbosa Benevides

Resid Pediatr. 2026
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INTRODUÇÃO: Aplasia Cútis Congênita (ACC) é uma condição neonatal rara, caracterizada pela ausência congênita da pele, geralmente envolvendo o couro cabeludo. Quando há lesões extensas e exposição meníngea, o risco de complicações — sobretudo infecções e hemorragias — aumenta significativamente. As abordagens de tratamento variam desde medidas tópicas até procedimentos cirúrgicos.
RELATO DE CASO: Descreve-se a experiência de um caso envolvendo um neonato com ACC, apresentando grande área de couro cabeludo sem pele e exposição parcial da dura-máter. A paciente desenvolveu sepse neonatal, conduzida com múltiplos esquemas de antibióticos. Optou-se por um manejo conservador de feridas, empregando gazes embebidas em ácidos graxos essenciais, óleo de copaíba e óleo de melaleuca, cujas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas são descritas na literatura. Esta estratégia não invasiva teve como objetivo minimizar riscos cirúrgicos e favorecer a estabilização da lesão. Observou-se melhora clínica progressiva, com cobertura gradativa da área exposta por tecido de granulação.
CONCLUSÕES: Nesta experiência isolada, o uso tópico de ácidos graxos essenciais, óleo de copaíba e óleo de melaleuca associou-se ao controle local de infecção e à regeneração tecidual, sem necessidade de intervenção cirúrgica imediata. Embora promissora, esta abordagem requer investigação adicional, com possíveis estudos multicêntricos ou séries de casos para validar segurança, eficácia e desfechos de longo prazo. Ressalta-se a importância da individualização da conduta e do monitoramento rigoroso em neonatos com essa condição rara.

Percentual de aleitamento materno exclusivo em hospital de referência da Serra Gaúcha

Angela Rech Cagol; Gabriela Belitski; Suelen Menegotto; Eduarda Cagol; Eunice Goulart

Resid Pediatr. 2026
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OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi quantificar a taxa de aleitamento exclusivo (AME) por pelo menos seis meses após a alta hospitalar de recém-nascidos (RN).
MÉTODOS: Foi um estudo de coorte prospectivo. A amostra foi descrita a partir de medidas-resumo como médias e desvios-padrão ou medianas e quartis, valores mínimos e máximos para as variáveis quantitativas, e pelas frequências absolutas e relativas para as variáveis qualitativas.
RESULTADOS: Analisaram-se 357 pacientes, sendo 113 excluídos por não terem informações disponíveis sobre a amamentação. A idade média foi de 30,2 anos, escolaridade predominante foi o ensino médio (42,4%); a maioria não tinha plano de saúde (64,4%) e 63% das pacientes realizaram cesariana. Usar fórmula em gestações prévias esteve associado a manter a fórmula na gestação atual (p 0,004). Na amostra analisada, 92% das mães amamentaram na primeira hora de vida e introduzir fórmula no hospital levou ao menor índice de AME (p 0,179). Após a alta hospitalar, o tempo médio de AME foi de 150 dias (51,9%), sendo que o período de introdução da fórmula foi entre 90 e 150 dias (34,3%).
CONCLUSÃO: Os autores concluem, portanto, que amamentar na primeira hora de vida e sustentar essa amamentação até a alta do RN colocam esse hospital num patamar diferenciado e garantem boas práticas hospitalares de AME.

Desnutrição grave na infância: diferentes etiologias, um mesmo desafio clínico

Resid Pediatr. 2026
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OBJETIVO: Descrever três casos de pacientes acometidos por desnutrição proteico-calórica grave com etiologias distintas.
RELATO DE CASO: Os casos apresentam desnutrição grave, porém com etiologias e tratamentos distintos. A primeira paciente, 1 ano e 8 meses, foi admitida com desnutrição grave, vômitos, desidratação e anemia severa, necessitando UTI, antibioticoterapia, suplementação vitamínica e fórmula de aminoácidos; apesar de colite pseudomembranosa tratada com metronidazol e vancomicina, evoluiu com recuperação nutricional e motora. O segundo paciente, 10 meses, inicialmente internado por gastroenterite com diarreia sanguinolenta, evoluiu com acidemia e hipogamaglobulinemia, sendo diagnosticado com SCID (TREC indetectável); recebeu fórmula de aminoácidos, antibióticos, imunoglobulina intravenosa e suporte nutricional intensivo, com expressiva melhora clínica. O terceiro, 5 anos, hígido prévio, apresentou hematêmese, febre e pancitopenia, necessitando UTI para manejo da síndrome hemofagocítica por CMV; tratado com imunoglobulina, corticoterapia, ganciclovir e suporte nutricional, apresentou melhora progressiva, tolerância alimentar e ganho ponderal.
DISCUSSÃO: A desnutrição grave na infância é um problema de saúde pública com impacto significativo no desenvolvimento físico e cognitivo. Diferentes etiologias podem levar a esse quadro clínico, exigindo uma abordagem diagnóstica criteriosa para um manejo adequado. A evolução clínica dos pacientes reforça a necessidade de uma avaliação multidisciplinar e individualizada, abordando não apenas a reposição nutricional, mas também o tratamento da causa subjacente. A diferenciação etiológica da desnutrição é essencial para a adoção de estratégias terapêuticas eficazes para melhores desfechos clínicos.

Atuação fisioterapêutica em pacientes pediátricos sob oxigenação por membrana extracorpórea

Joyce Liberali Pekelman Rusu; Mariana Pardini Morais; Mariana Mazzuca Reimberg; Anahid Feres Chahine; Juliana Honorio Lopes; Beatriz Brohem Moscatello

Resid Pediatr. 2026
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Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) é uma terapia invasiva que garante oferta de oxigênio adequada em quadros específicos. Esta pesquisa teve como objetivo identificar a atuação fisioterapêutica em pacientes neonatais e pediátricos durante a ECMO em unidade de terapia intensiva. Realizada revisão sistemática nas bases de dados SciELO, LILACS, PEDro e PubMed, com descritores “ECMO”, “Neonatal”, “Pediatric”, “Neonatology”, “Extracorporeal membrane oxygenation”, “Physical Therapy” e “Rehabilitation” individualmente e cruzados com operador booleano “AND”. Incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte, caso controle, transversais, diretrizes clínicas e relatos de caso publicados nos últimos quatorze anos, em português, inglês e espanhol, em pacientes pediátricos e excluídos aqueles que não se relacionam ao objetivo, revisões sistemáticas, de literatura e estudos duplicados. Encontraram-se 610 artigos no total, estando 12 de acordo com os critérios de seleção. Três estudos abordaram mobilização precoce, com duração de 10 a 60 minutos, observando acessos e canulações e metas de mobilidades específicas relacionadas à faixa etária e evolução do paciente, dentre os procedimentos respiratórios, aspiração foi a única técnica descrita, 9 artigos abordaram suporte ventilatório, sendo o modo pressão controlada mais utilizado, com PIP de 15 a 21cmH2O, PEEP de 5 a 14cmH2O, a FiO2 de 21 a 90%, em 3 artigos, frequência respiratória de 10 a 20rpm e volume corrente = 6mL/kg. A atuação fisioterapêutica consistiu em auxiliar no suporte ventilatório, prevenir complicações respiratórias e motoras, através de estratégias de mobilização precoce, ajuste dos parâmetros da ventilação mecânica e aspiração. Não houve conflito de interesse ou financiamento relacionado à pesquisa.

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